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    Perdas com mercado ilegal no Brasil sobem 4,4% e chegam a R$ 300 bilhões em 2021

    Setor de vestuário é o que mais registrou alta de ilegalidade, com perdas de R$ 60 bilhões

    Talita Nascimento, do Estadão Conteúdo

    A economia brasileira perdeu R$ 300 bilhões em 2021 para o mercado ilegal. O valor é a soma das perdas registradas por 15 setores industriais, que chegam a R$ 205,8 bilhões, e a estimativa dos impostos que deixaram de ser arrecadados, de R$ 94,6 bilhões.

    Os dados são do levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), divulgado nesta segunda-feira (14). Segundo Edson Vismona, presidente da entidade, os números dão apenas uma ideia do tamanho da ilegalidade, enquanto as cifras reais devem ser ainda maiores.

    A estimativa de impostos que não foram arrecadados, por exemplo, é calculada com base no porcentual tributário de 46%, mas há produtos, como o cigarro, em que o imposto no Brasil pode chegar a 90%. Vismona lembra ainda que há setores que não contribuem com dados para o levantamento e, por isso, não são contabilizados.

    O balanço mostra uma alta de 4,4% em relação à 2020, quando as perdas para o mercado ilegal alcançaram R$ 288 bilhões. O setor de vestuário é o que mais registrou alta de ilegalidade, com perdas de R$ 60 bilhões, um aumento de 11% em relação a 2020.

    “As perdas não são apenas econômicas, são de competitividade da indústria nacional, uma vez que, ao não pagar impostos, o ilegal fica mais barato, provocando uma concorrência desleal e corrosiva que prejudica a geração de empregos formais e renda para o brasileiro,” explica Vismona.

    Pirataria digital

    Num ambiente de pandemia, com o aumento das compras digitais, a entidade destaca a reprodução do padrão ilegal também no e-commerce.

    “Identificamos muita venda de produto ilegal no comércio eletrônico. Esse segmento deu um grande salto em 2020. A ilegalidade em celulares, por exemplo, foi uma das poucas que cresceu naquele ano, justamente em razão do e-commerce”, diz Vismona.

    Ele diz, porém, que as empresas que têm shoppings virtuais, os chamados marketplaces, ligadas ao Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), aderiram mais rapidamente ao Guia de Boas Práticas proposto pelo Conselho Nacional de Combate à Pirataria.

    Nesse grupo, a discussão sobre a responsabilidade da empresa de combater lojistas virtuais que vendam produtos falsificados ou não autorizados está mais adiantada. “Não basta agir depois de receber a denúncia, é preciso que haja proatividade. Eles têm tecnologia para isso. A internet não é uma terra sem lei”, afirma o presidente do FNCP.

    Em plataformas estrangeiras, essa conversa ainda está em fase inicial. Mas Vismona conta que, no último ano, como essas companhias passaram a se interessar mais pelo país e abriram operações brasileiras, houve alguns avanços.

    No caso de plataformas que vendem produtos de outros países e importam esses itens diretamente ao consumidor final, prática conhecida como cross border, no entanto, ele afirma que ainda é muito comum que as plataformas informem à Receita Federal um valor abaixo do recebido para que não haja recolhimento de impostos.

    O levantamento do FNCP é feito desde 2014 e tem como base os dados apontados pelos próprios setores produtivos, que têm métricas próprias (pesquisas, avaliação de mercado).

    Os 15 segmentos contemplados pelo estudo do FNCP são vestuário; óculos; cigarro; TV por assinatura; cosméticos e higiene pessoal; bebidas alcoólicas; combustíveis; audiovisual; defensivos agrícolas; celulares; perfumes importados; material esportivo; brinquedos; software; e computadores pessoais.