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    Governo Lula pressiona Troyjo a deixar presidência de Banco dos Brics

    Marcos Troyjo, ex-secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, tem sido rotulado como bolsonarista pelo governo

    Daniel Rittnerda CNN

    em Brasília

    O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que o atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Marcos Troyjo, renuncie ao cargo. Ele assumiu em maio de 2020 o comando da instituição, também conhecida como Banco dos Brics, e tem mandato até 2025.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciou as tratativas com Troyjo. Coube ao Brasil, em um sistema de rodízio, indicar o presidente do NDB naquela ocasião. O chefe anterior era da Índia. O Brics é um grupo do qual fazem parte cinco grandes economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China, e África do Sul.

    Troyjo, ex-secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, tem sido rotulado como bolsonarista pelo governo Lula. Ex-diplomata, ele foi professor da Universidade Columbia (EUA) e voltou ao Brasil para assumir um posto-chave no governo Jair Bolsonaro.

    Ele se aproximou do ex-ministro Paulo Guedes na campanha eleitoral de 2018 e chefiou, por pouco mais de dois anos, a Secretaria Especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia. Teve papel importante na conclusão do acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul e nos preparativos para a candidatura brasileira à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

    As participações de Troyjo na imprensa, como ex-comentarista da Rádio Jovem Pan e ex-colunista do jornal Folha de S. Paulo, foram resgatadas nas últimas semanas por pessoas próximas de Lula como uma forma de lembrar que ele tinha forte discurso antipetista.

    Outro ponto de crítica no governo é a situação de Troyjo. Um interlocutor de Lula reclamou que, apesar de a sede do banco ficar em Xangai, ele havia retornado e passado a maior parte do ano passado no Brasil — supostamente trabalhando longe da cidade chinesa e abandonado, na prática, o ambiente de trabalho. Procurado pela CNN, Troyjo não atendeu às ligações e nem respondeu mensagens.

    Especula-se, no governo, a indicação da ex-presidente Dilma Rousseff ao cargo. Ela poderia substituir Troyjo pelo restante do mandato. Fontes do Palácio do Planalto não confirmaram essa hipótese.

    Um ex-assessor de Dilma, no entanto, reagiu sem espanto a essa possibilidade. De acordo com esse interlocutor, nas últimas semanas, a ex-presidente tem se dedicado extensamente à leitura de livros que têm a história e o desenvolvimento econômico da China como tema.

    Nos bastidores, Lula já sinalizou disposição em indicar Dilma para um posto no exterior. A intenção seria um reconhecimento pelo calvário vivido pela petista no processo de impeachment.

    A CNN apurou, no entanto, que Dilma não pediu nenhum cargo. Lula já informou para a petista que pretende ter uma conversa com ela para avaliar a sua participação no governo federal, mas o encontro ainda não ocorreu.

    Segundo dirigentes petistas, o presidente pretende definir o cargo que pode ser ocupado por Dilma antes de sondá-la oficialmente.

    (Com informações de Gustavo Uribe).