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    Governo quer solução para juros do crédito rotativo em até 90 dias, diz Haddad

    Ministro confirmou que governo, varejo e bancos seguem com as negociações para as taxas cobradas no rotativo do cartão de crédito, atualmente acima dos 430% ao ano

    Fernando Haddad, ministro da Fazenda, afirmou estar pressionando o sistema bancário para uma queda na taxa do rotativo do cartão
    Fernando Haddad, ministro da Fazenda, afirmou estar pressionando o sistema bancário para uma queda na taxa do rotativo do cartão Diogo Zacarias/MF

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (2), durante a participação no programa “Bom Dia, Ministro” que há um compromisso do governo de apresentar em até 90 dias uma solução final para a questão dos juros do crédito rotativo, atualmente acima dos 430% ao ano.

    Alvo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa do rotativo do cartão de crédito passou de 454,0% para 437,3% ao ano. A média do juro cobrado pelos bancos no rotativo caiu 16,7 pontos porcentuais de maio para junho, segundo Banco Central.

    O ministro disse, ainda, que o crédito rotativo é um problema histórico no Brasil. Segundo ele, o presidente Lula e todo o governo está colocando uma pressão sobre o sistema bancário referente a essa taxa.

    Desde abril, governo, varejo e bancos têm se reunido para tratar do crédito rotativo, classificado por Haddad como um “problema histórico”. “Estão sentados numa mesa com compromisso de resolver, de uma vez por todas, os juros altos deste crédito do cartão.

    Em abril deste ano Haddad afirmou que o governo e o Banco Central receberiam dos bancos um estudo de como reduzir o nível de juros do cartão de crédito rotativo. Na ocasião, o ministro também afirmou que está em estudo o modelo atual e a compreensão dos problemas enfrentados.

    “Eles vão entregar um cronograma de apresentação de um estudo [para juros do rotativo]. Eu pedi celeridade, pediram para envolver o BC porque tem a regulamentação do produto”, disse Haddad na época.

    “Todo mundo compra com o cartão, então não queremos prejudicar a vendas. Mas não podemos penalizar nessa proporção quem, por ventura, por uma circunstância qualquer num determinado mês, não conseguiu ali honrar um compromisso. Ele não pode cair nessa roda-viva e não sair mais. É isso o que está acontecendo com muitas famílias que o Desenrola está tentando resolver.”

    Durante a entrevista, ele fez um alerta que, se o consumidor tem um crédito rotativo no banco, agora é o momento de procurar o gerente e dizer: “olha, eu não vou pagar essa continha, esse juros. Eu quero um desconto para resolver minha vida.”

    “Hoje, tem um mecanismo que, se pagar o cartão em dia, você está salvo. Mas, se tiver uma ocorrência qualquer, não consegue pagar a parcela do cartão, entra num juro absurdo, mais de 400%. Vamos tomar providências. Temos que envolver o lojista, que é parte do cartão de crédito. Esse grupo está com objetivo, neste ano, de sanar o problema.”

    Entretanto, mesmo garantindo que esta esta taxa irá cair, ainda vai continuar alto há muito tempo. “O que nós vamos contratar no sistema bancário é uma transição para um sistema que seja mais saudável do que esse, que está prejudicando o lado mais pobre. Teremos um freio de arrumação nos juros rotativo do cartão.”

    Os juros do cartão de crédito são os mais caros do mercado financeiro. Em geral, ele é utilizado pelos usuários que não conseguem pagar a fatura por completo e optam por fazer o pagamento mínimo, o que gera juros sobre juros.

    Veja também: Juros altos geram desemprego e queda de investimentos no país