Indústria do Brasil sente impacto da guerra com alta de insumos, mostra PMI

Inflação dos custos dos insumos atingiu o nível mais ​alto em 18 meses, embora a recuperação das exportações tenha ajudado a atenuar o ritmo de contração

Por Camila Moreira, da Reuters
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A atividade da indústria do Brasil sentiu em março o impacto da guerra no Oriente Médio, com ​a inflação dos custos dos insumos atingindo o nível mais ​alto em 18 meses, embora a recuperação das exportações tenha ajudado a atenuar o ritmo de contração, de acordo com uma pesquisa do setor privado divulgada nesta quarta-feira.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 49,0 em março, de 47,3 em fevereiro. Esse foi o 11º mês seguido em que o setor registrou contração, com o índice abaixo da marca de 50, mas o ritmo da queda foi o menor desde maio ⁠do ano passado.

A intensificação das pressões sobre os ​custos no mês foi associada pelos participantes da pesquisa à guerra no Oriente Médio, iniciada no ​final de fevereiro, e à alta dos preços internacionais do petróleo.

Buscando proteger as margens de lucro, os fabricantes aumentaram ⁠novamente seus preços de venda em março.

"Justamente quando o ⁠Banco Central reduziu as taxas de juros pela primeira vez em quase dois anos, a ​alta ‌nos preços internacionais do petróleo e a guerra em curso no Oriente Médio elevaram significativamente as pressões sobre os custos ⁠ao seu nível mais alto desde setembro de 2024", disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

"Os clientes sentirão o impacto imediatamente, pois os fabricantes aceleraram os aumentos de preços em um esforço para proteger suas margens. ‌Isso ⁠pode enfraquecer ainda mais ‌a demanda, especialmente porque as empresas relataram que o poder de compra limitado dos consumidores finais está afetando negativamente as carteiras de pedidos."

O BC reduziu a taxa básica de juros Selic este mês para 14,75%, mas pregou cautela diante do ⁠conflito no Oriente Médio.

A produção do setor industrial brasileiro diminuiu em ⁠março, mas foi a queda menos acentuada desde outubro passado. Alguns participantes da pesquisa indicaram que os esforços de reposição de estoques impulsionaram o ‌crescimento em suas unidades.

A guerra no Oriente Médio também incentivou algumas empresas a se concentrarem na recomposição dos estoques de contingência.

Os novos pedidos diminuíram no mês, com as empresas citando demanda fraca e a guerra no Oriente Médio, bem como orçamentos restritos dos clientes e o poder de compra limitado dos consumidores. No entanto, o ritmo de ‌redução foi o mais lento desde dezembro passado.

Os dados do PMI apontaram que sinais tímidos de recuperação nas vendas internacionais limitaram a queda geral no volume total de novos negócios. Após registrarem quedas em cada um dos ⁠11 meses anteriores, os pedidos do exterior permaneceram amplamente estáveis, mostrou a pesquisa, uma vez que as tarifas dos Estados Unidos teriam permitido que algumas empresas acessassem novos mercados. No entanto, houve menções a uma queda nas vendas para a Argentina ​e a China.

Os empregos em fábricas aumentaram pelo segundo mês consecutivo em março, com as empresas destacando iniciativas de formação ​de estoques.

As empresas ainda mantiveram uma visão otimista em relação às perspectivas de crescimento, mas o nível geral de confiança caiu para o menor nível em 11 meses em março em meio a preocupações com a concorrência, a guerra no Oriente Médio e a incerteza que as eleições deste ano ‌podem trazer.

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