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    Inflação de setembro sustenta ritmo de cortes nos juros, mas especialistas mantêm atenção em serviços

    IPCA subiu 0,26% no mês passado, abaixo das expectativas do mercado

    Atenção deve se voltar para a inflação do setor de serviços nos próximos meses
    Atenção deve se voltar para a inflação do setor de serviços nos próximos meses Marcos Santos/USP Imagens

    Iasmin Paivada CNN

    São Paulo

    O resultado da inflação de setembro veio abaixo do esperado pelo mercado e, segundo especialistas afirmaram à CNN, corrobora com a perspectiva do Banco Central (BC) de cortes graduais nos juros para os próximos meses. O setor de serviços, por sua vez, segue como um ponto de atenção.

    Em setembro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,26% na comparação com o mês anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na manhã desta quarta-feira (11).

    A expectativa de mercado era para avanço de 0,33%, conforme a mediana das estimativas da Bloomberg.

    No ano, a inflação acumulada é de 3,5% e, nos últimos 12 meses, de 5,19%, acima dos 4,61% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

    Alexandre Maluf, economista da XP, acredita que o resultado do IPCA foi benigno, e não muda o cenário para a política monetária do BC.

    “Foi uma leitura positiva, mostrando uma descompressão bastante disseminada da inflação corrente. Anima ver esses dados, embora ele não rompa a barreira alta do BC para acelerar o ritmo de cortes”, pontua.

    O especialista da XP destaca o setor de serviços, em especial o segmento de serviços subjacentes — que não considera os itens mais voláteis — que variou 0,33%, em linha com o esperado.

    “A desinflação de serviços, que o BC chama de segundo estágio de desinflação, tem ocorrido, não apenas na variação mensal, mas nos dados dessazonalizados, mostram uma descompressão.”

    O setor segue no radar dos analistas e deve ser foco de atenção nos próximos meses, pontua Leonardo Costa, economista da ASA Investments.

    “Também apostamos em continuidade da desaceleração dos bens, com isso, a média dos núcleos deve orbitar dentro do intervalo da meta no fechamento de 2023”, explica.

    Costa avalia que o balanço qualitativo pouco melhor nesse IPCA de setembro, ante o IPCA-15 do mesmo mês, com queda mais ampla nos bens industrializados.

    Segundo André Cordeiro, economista sênior do Inter, o cenário continua favorável para a manutenção do ritmo de cortes da Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

    Apesar deste quadro positivo para a redução dos juros, o cenário externo inspira cautela com perspectivas da economia norte-americana e a nova dose de incertezas globais com o conflito no Oriente Médio.

    “Até o momento, a transmissão desses choques tem sido limitada aos maiores custos de energia, mas, a depender da intensificação desses choques, pode ser um fator a impactar a tomada de decisão do Copom”, avalia.

    Veja também: Mercado reduz projeções de inflação para 2023 e 2024