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    Inflação está benigna, mas é importante governo cumprir meta fiscal, diz Campos Neto

    De acordo com presidente do BC, diferentemente de outros momentos, alta de preços no Brasil hoje está sendo puxada principalmente por fatores globais, e não locais

    Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
    Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central José Cruz/Agência Brasil

    Juliana EliasDanúbia Bragada CNN

    em São Paulo

    O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira (2) que a inflação brasileira, à despeito de algumas pressões recentes vindas de combustíveis e energia, “em geral, está benigna”, e, diferentemente de outros momentos de alta de preços, está sendo puxada hoje principalmente por fatores globais, e não locais.

    Ele ressaltou, entretanto, que o nível de gastos do governo brasileiro está mais alto tanto do que o de outros países emergentes quanto desenvolvidos, e que a questão fiscal permanece um ponto de atenção entre investidores e nos cenários de análise do BC.

    “Temos apoiado bastante o governo para persistir na meta fiscal. No fim as contas estamos olhando para a estabilidade da trajetória de dívida de média e longo prazo, e é importante persistir na meta”, afirmou.”, afirmou Campos Neto, em referência ao objetivo traçada pelo próprio governo de cobrir e zerar o rombo das contas públicas no ano que vem.

    Campo Neto falou na manhã desta segunda-feira durante participação no Abracam Talks, evento da Associação Brasileira de Câmbio  em São Paulo.

    “Quando vemos os preços aos consumidores, há uma alta [recente] que é basicamente sazonal, por conta dos números do ano passado, mas, em geral, a inflação está benigna”, disse.

    “Temos [hoje] inflação global, mas, no Brasil está melhor (…). Em 2014, por exemplo, a inflação era brasileira, não tinha inflação no mundo. Hoje, há um surto no mundo, e o Brasil teve sucesso em controla-lo e, agora, a nossa inflação está abaixo da média.”

    Questão fiscal

    O presidente do BC afirmou que o ponto de atenção está na questão fiscal, e que essa é uma das razões para que as expectativas de inflação para o próximo ano, na casa de 3,5%, ainda não estarem na meta.

    O centro do objetivo oficial para a inflação em 2023 é de 3,25% e, para 2024, 2025 e 2026, é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. E disse também que o real teve bom desempenho neste ano.

    “O mercado acha que os números fiscais do governo vão ser piores, basicamente porque o governo vai precisar de arrecadação extra para cumprir a meta, e precisaremos ainda observar esses projetos [para aumento de arrecadação

    De acordo com dados mostrados por ele, a expectativa de mercado aponta para um crescimento dos gastos do governo de 7,5% neste ano, acima da inflação, ante uma média de 1% para o total da América Latina.

    Campos Neto ainda afirmou que o Brasil tem uma certa dificuldade de cortar gastos públicos. “Há uma dificuldade estrutural de cortar gastos, é uma equação que precisa ser endereçada no longo prazo.”