Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Insegurança alimentar atinge 36% do Brasil, revela pesquisa

    Índice no país está acima da média global no ano passado, que ficou em 35%; mulheres são mais afetadas

    Economista Marcelo Neri, professor da FGV e diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV, coordenou estudo
    Economista Marcelo Neri, professor da FGV e diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV, coordenou estudo Reprodução/CNN (25.mai.2022)

    Raquel Landim

    Dados preparados pela da FGV Social com base em dados do instituto Gallup revelam que, no ano passado, a insegurança alimentar atingiu 36% da população brasileira. Os dados do país são superiores à média global, que ficou em 35%. Por ser de 2021, a estatística não mede a influência da guerra na Ucrânia.

    O percentual de pessoas que não tiveram dinheiro para comer ou para alimentar suas famílias vem subindo nos últimos anos. A fome começou a crescer no Brasil em 2014, por causa da recessão econômica dos anos do governo Dilma Rousseff (PT). Chegou a 30% no início do governo Jair Bolsonaro (PL) e, com a pandemia da Covid-19, atingiu o patamar atual de 36%, ficando pela primeira vez, acima da média mundial.

    Percentual de pessoas em situação de insegurança alimentar no Brasil vem aumentando desde 2014
    Percentual de pessoas em situação de insegurança alimentar no Brasil vem aumentando desde 2014 / Arte/CNN

    Entre as mulheres, a fome deu um salto: quase metade das mulheres brasileiras (47%) não tiveram condições de dar comida aos seus filhos no ano passado. Em 2019, o percentual era de 33%. A média global em 2021 estava em 37%. O fechamento das escolas agravou a fome das crianças, já que elas ficaram sem merenda e suas mães tiveram de parar de trabalhar.

    Já entre os homens, o percentual caiu de 27% para 26% de 2019 a 2021. A média global é de 33%.

    Mulheres são mais afetadas pela fome do que os homens
    Mulheres são mais afetadas pela fome do que os homens / Arte/CNN

    Ao contrário do que acontece, por exemplo, em um desastre climático, a epidemia de fome provocada pela Covid-19 atingiu a população de forma muito desigual. Entre os 20% mais pobres a quantidade de pessoas com fome aumentou 22 pontos percentuais no Brasil (de 53% para 75%), muito acima da média do mundo, de 48%. O índice de 75% chega perto ao do Zimbábue, de 80%.

    Já entre os mais ricos, a insegurança alimentar diminuiu entre 2019 e 2021, caindo de 10% para 7%, percentual igual ao da Suécia. A média global é 21%.

    Entre os mais pobres, percentual de pessoas atingidas pela insegurança alimentar subiu 22 pontos percentuais em dois anos no Brasil
    Entre os mais pobres, percentual de pessoas atingidas pela insegurança alimentar subiu 22 pontos percentuais em dois anos no Brasil / Arte/CNN

    O economista Marcelo Neri, professor da FGV e diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV, avalia que as mudanças no Auxílio Emergencial desde o início da pandemia podem ter relação com o cenário.

    “Em 2020, o Auxílio Emergencial foi bastante generoso, mas ele flutuou. No começo de 2021 foi interrompido e depois retomado. Isso pode ajudar a explicar os números tão altos, com a interrupção do auxílio em 2021”, comenta.

    Neri citou também que, do ponto de vista macroeconômico, a alta da inflação também costuma prejudicar mais a população de baixa renda. “A inflação dos pobres, desde 2014, já estava 6 pontos mais elevada do que a de renda mais alta. E nesses últimos 12 meses está em 1,9”, acrescentou.