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    Investigação interna da Americanas aponta participação de diretoria em fraude

    Fato relevante publicado nesta terça-feira (13) afirma que as investigações "indicam que as demonstrações financeiras da companhia vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior"

    Fraude acontecia por meio de contratos sem aprovação do Conselho
    Fraude acontecia por meio de contratos sem aprovação do Conselho REUTERS/Ueslei Marcelino

    Caio Junqueirada CNN

    São Paulo

    Investigação interna conduzida pela Americanas aponta que a antiga diretoria tinha conhecimento da fraude contábil ocorrida na empresa. A informação consta de fato relevante divulgado na manhã desta terça-feira (13).

    O documento diz que “o relatório apresentado pelos assessores foi baseado em documentos entregues pelo comitê de investigação independente e por documentos complementares identificados pela administração e seus após as reuniões com o comitê” e que eles “indicam que as demonstrações financeiras da companhia vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior”.

    O fato relevante afirma, ainda, que “os documentos que deram origem ao relatório demonstram os esforços da diretoria anterior das Americanas para ocultar do Conselho de Administração e do mercado em geral a real situação de resultado e patrimonial da companhia”.

     

    O fato relevante descreve também como a operação funcionava.

    Segundo o documento, “foram identificados diversos contratos de verba de propaganda cooperada e instrumentos similares (VPC), incentivos comerciais usualmente utilizados no setor de varejo, que teriam sido artificialmente criados para melhorar os resultados operacionais da companhia como redutores de custo, mas sem efetiva contratação com fornecedores” e que “esses lançamentos, feitos durante um significativo período, atingiram, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 21,7 bilhões em 30 de setembro de 2022”.

    O documento diz ainda que “as contrapartidas contábeis em balanço patrimonial desses contratos de VPC criados ao longo do tempo, os quais não tiveram lastro financeiro associado, se deram majoritariamente na forma de lançamentos redutores da conta de fornecedores, totalizando, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 17,7 bilhões em 30 de setembro de 2022. A diferença de R$ 4 bilhões teve como contrapartidas lançamentos contábeis em outras contas do ativo da companhia”.

    Além dessas operações, o documento diz que “como forma de gerar o caixa necessário para a continuidade das operações das Americanas, a diretoria anterior da companhia contratou uma série de financiamentos nos quais a companhia é devedora sem as devidas aprovações societárias, todas inadequadamente contabilizadas no balanço patrimonial na conta fornecedores”.

    O fato relevante descreve quais foram essas operações:

    — Operações de financiamento de compras (risco sacado, forfait ou confirming) de R$ 18,4 bilhões, em números preliminares e não auditados;
    — Operações de financiamento de capital de giro de R$ 2,2 bilhões, em números preliminares e não auditados.

    O fato relevante afirma ainda que “a indevida contabilização dessas operações de financiamento nos demonstrativos financeiros da Americanas não permitiu a correta determinação do grau de endividamento da Companhia ao longo do tempo”.

    Acrescenta também que “foram identificados lançamentos redutores da conta de fornecedores oriundos de juros sobre operações financeiras, que deveriam ter transitado pelo resultado da Companhia ao longo do tempo, totalizando, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 3,6 bilhões em 30 de setembro de 2023”.

    A CNN tenta contato com a antiga diretoria da empresa para saber o posicionamento de cada um.