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    Investimento em startups no 1º semestre cai 44% em relação a 2021, diz estudo

    Com 327 rodadas, aportes totalizaram US$ 2,92 bilhões, ante US$ 5,26 no mesmo período do ano anterior

    Fintechs lideraram aportes no semestre, com US$ 1,36 bilhão
    Fintechs lideraram aportes no semestre, com US$ 1,36 bilhão Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    As startups brasileiras receberam US$ 2,92 bilhões em investimentos ao longo do primeiro semestre de 2022, um valor 44% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Os dados são de um levantamento da plataforma de inovação Distrito.

    Ao todo, foram 327 transações, um número 21% menor que as 416 em 2021. No ano passado, as startups captaram US$ 5,26 bilhões nos seis primeiros meses do ano.

    Segundo o Distrito, o resultado reflete um “contexto de inflação, juros altos e crise política global que atingiu também o mercado de tecnologia”.

    A queda nos investimentos ocorreu em especial no segundo trimestre. Em junho, foram captados US$ 343 milhões em 45 rodadas. No mesmo mês em 2021, havia sido registrado um recorde de US$ 2,14 bilhões em investimentos.

    “As startups brasileiras sentiram os efeitos do cenário macroeconômico. Diante disso, muitas empresas estão mudando a operação privilegiando caixas mais sustentáveis em detrimento do crescimento exponencial. Os empreendedores terão de mostrar habilidade ao manobrar a empresa e provar que o modelo é adaptável a diferentes contextos”, diz Gustavo Araujo, cofundador do Distrito.

    Apesar da queda no investimento, o volume destino às startups em estágios iniciais cresceu. No primeiro semestre de 2021, foram US$ 151 milhões em rodadas do tipo seed e US$ 1,23 bilhão no tipo early stage. Já em 2022, foram US$ 282 milhões e US$ 1,39 bilhão, respectivamente.

    Com isso, a queda no valor investido se concentrou nas startups em estágio de crescimento mais avançado. De janeiro a junho de 2022, elas captaram US$ 1,24 bilhão, ante US$ 3,87 bilhões em 2021.

    Araujo atribui os números a uma “correção” no valor atribuído às empresas, o chamado valuation, que tende a afetar startups mais maduras.

    “Empresas iniciantes que tenham um bom time e solucionem dores relevantes do mercado ganham espaço agora”, avalia.

    Mantendo uma tendência iniciada em 2019, as fintechs – startups voltadas ao mercado financeiro – lideraram os aportes no semestre, com US$ 1,36 bilhão.

    Em seguida, as retailtechs – voltadas ao varejo – levantaram US$ 366 milhões, enquanto as HRtechs – da área de recursos humanos – obtiveram US$ 247 milhões.

    Os maiores aportes no período foram nas fintechs Neon (US$ 300 milhões), Creditas (US$ 260 milhões) e Dock (US$ 110 milhões).

    Além dos investimentos, as fusões e aquisições envolvendo startups tiveram leve recuo, de 118 em 2021 para 110 neste ano, uma queda de 7%.

    O motivo do resultado, que o Distrito avalia ser positivo, é que “a correção nos valuations que as empresas de tecnologia estão sofrendo as torna mais acessíveis às oportunidades de aquisição”.

    Na comparação com anos anteriores, o desempenho do setor de startups ainda é positivo.

    Em volume investido, o total no primeiro semestre de 2022 é 138% maior que o de 2020. O valor captado e número de rodadas neste ano perdem apenas para 2021, considerando a série histórica iniciada em 2017.

    Os valores investidos em janeiro e fevereiro de 2022 são maiores que nos mesmos meses de 2021, mas com os meses seguintes tendo um nível de captação maior.

    Mesmo assim, seguem acima dos montantes de 2020, com exceção de junho, com uma captação de US$ 343 milhões neste ano ante US$ 358 milhões.