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    Investimentos da Arábia Saudita no Brasil devem seguir trajetória de expansão, avaliam especialistas

    Aviação, agropecuária e indústria farmacêutica foram alguns dos setores que receberam aportes sauditas nos últimos anos

    Brasil se destaca no cenário global como uma boa oportunidade de investimentos
    Brasil se destaca no cenário global como uma boa oportunidade de investimentos Reuters

    Iasmin Paivada CNN

    São Paulo

    Após injetar US$ 1,69 bilhão no Brasil entre 2004 e 2019 em investimentos, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, especialistas avaliam que o fluxo tem potencial de expansão significativo para os próximos anos, impulsionados, principalmente, com os novos acordos bilaterais assinados nos últimos meses, os quais aumentaram o capital saudita nos segmentos brasileiros

    Os laços econômicos e de negócios se estreitaram em agosto deste ano, quando mais de uma centena de empresários e autoridades sauditas de grande relevância para o país desembarcaram no Brasil para um evento na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

    A comitiva árabe apresentou seus planos até 2030, e foram fechados 26 acordos entre empresas brasileiras e sauditas, para comércio bilateral, em áreas como petroquímica, alimentícia, turismo e transporte.

    Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita, ocasião na qual os representantes sauditas indicaram ao presidente que desejam ampliar seus investimentos no Brasil.

    Gabriela Joubert, estrategista-chefe do Inter, explica que o interesse financeiro da Arábia Saudita no Brasil acontece por dois motivos principais: o processo de abertura econômica saudita para o mundo e a situação do Brasil para receber seus investimentos, que é mais favorável em relação a seus pares. 

    “[A Arábia Saudita] tem feito um movimento muito intenso de se abrir para o mundo, por meio de parcerias com empresas e governos para se mostrar e buscar crescimento via acordos”, explica a especialista. 

    Gabriela cita o fundo soberano, ou Fundo de Investimento Público (PIF), como um bom exemplo do interesse em diversificação da economia do país árabe, já que se trata de uma reserva de excedentes do governo que pode ser utilizada para variadas fontes de renda do país, para buscar oportunidades no exterior.

    Enquanto isso, o Brasil se destaca no cenário global como uma boa oportunidade de investimentos, pontua a especialista do Inter. Por ter uma política monetária estável, estar em um processo de desaceleração da inflação e ter revisado seu Produto Interno Bruto (PIB) para cima.

    “Essa variedade de fatores beneficia o Brasil, que se torna um país estratégico neste momento”, avalia Gabriela Joubert.

    Na avaliação da especialista, esse deve ser só o começo da parceria entre os dois países. “Tendo um mínimo de condições burocráticas para fechar esses acordos, o cenário tem tudo para se fortalecer e as parcerias aumentarem”, avalia.

    Elcineia de Castro, professora de relações internacionais e pesquisadora da Arábia Saudita, reforça que o Brasil é um país estratégico na atual política externa saudita.

    Do ponto de vista tecnológico e industrial, a economia brasileira é uma potência média em processo de desenvolvimento, enquanto do ponto de vista produtivo, o Brasil exporta muitos bens que os sauditas ainda não têm capacidade de produzir sozinhos.

    “Toda cadeia produtiva deles, atualmente, se retroalimenta de outros países, e o Brasil faz parte desta lista”, explica a pesquisadora.

    Segmentos estratégicos

    A aproximação econômica da Arábia Saudita com o Brasil acontece em um momento de transição do país árabe, aponta Elcineia de Castro. Ao mesmo tempo em que houve um afastamento dos Estados Unidos e uma aproximação com contratos em diversas áreas com a China, o país também tem tentado levar adiante a agenda 2030.

    “O grande objetivo é deixar de ser simplesmente um país rico em recursos petrolíferos, com grandes jazidas e diversificar seu leque produtivo, desenvolvendo e investindo em outros setores da economia, tanto no âmbito doméstico, como no internacional”, avalia a pesquisadora.

    Com essa perspectiva em mente, Elcineia elenca os setores de Defesa (indústria bélica brasileira), cooperação e Transferência de ecnologia no setor farmacêutico, agronegócio, com o segmento de fertilizantes, e até no mercado futebolístico brasileiro como focos de investimento saudita no Brasil.

    Gabriela Joubert ressalta que o principal atrativo da economia brasileira é por ser um grande produtor de commodities, o que colabora para diversificar um sistema financeiro que acumula riqueza principalmente com o petróleo.

    Os acordos entre os países vem na linha principalmente de commodities e insumos básicos, com uma presença forte da brasileira Sadia nos mercados sauditas.

    “Mas a Arábia Saudita quer expandir essa parceria. Por isso teve comitiva em julho, com representantes de vários setores, para entender as oportunidades existentes no mercado, onde dá para colocar, diversificar, aumentar o capital do país”. 

    Elcineia também ressalta que, nos últimos 5 anos, houve uma aproximação muito mais incisiva pelos sauditas no Brasil, considerando todas as possibilidades de parcerias e crescimento no território brasileiro, devido sua abundância em diferentes recursos naturais.

    “O Brasil se tornou uma ‘terra de oportunidades’ para um país com muitas reservas de petrodólares disponível e um ousado projeto de política externa em curso”, avalia a professora.

    Veja também: Brasil e Arábia Saudita debatem parcerias na aviação