Ibovespa sobe 1,65%, sustentado por Eletrobras, Petrobras, Vale e exterior
Bolsa registrou ganho mesmo em meio à cautela do externo ainda com efeitos do novo coronavírus na economia global

Apesar da cautela generalizada nos mercados globais, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta de 1,65%, aos 74.639 pontos. O avanço foi sustentado pela valorização de ações com peso significativo no índice, as chamadas blue chips, como Eletrobras, Petrobras e Vale, e pelo bom desempenho das bolsas de Nova York.
A pricipal alta do pregão foi registrada pelas ações ON (ordinárias, com direito a voto) da Eletrobras (+10,53%). Outros papéis com peso importante na Bolsa também tiveram avanço como Petrobras ON (+3,15), Petrobras PN (preferenciais, sem direito a voto, +0,60%), e Vale ON (+4,16%).
O avanço no pregão desta segunda-feira vem após uma queda de 5,5% na última sessão, com a perda em março alcançando cerca de 28%, que se mantida representará o pior desempenho mensal desde agosto de 1998 (-39,55%).
"Tempos de guerra", afirmou a XP Investimentos em relatório a clientes, no qual voltou a revisar projeção do Ibovespa no final de 2020, desta vez a 94.000 pontos, de 132.000 pontos antes, dado o forte efeito nos lucros das empresas esperado nos próximos trimestres.
Nos EUA, o S&P 500 subiu 3,35%, mesmo após o presidente Donald Trump prorrogar as diretrizes de permanência da população em casa até o final de abril.
Tampouco desanimou os compradores de ações norte-americanas a notícia de que o número de casos de coronavírus nos EUA subiu para 140.904 registros, com o número de mortes aumentando para 2.405, conforme dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país.
A Johnson & Johnson disse que iniciará o teste em humanos de uma vacina candidata contra coronavírus em setembro e que, com o governo dos EUA, investirá para fabricar mais de 1 bilhão de doses.
Operadores ainda citaram a proximidade do fechamento do mês como mais um componente para a alta do Ibovespa, em meio a ajustes de carteira. "Não se descarta que muitos gestores estejam tentando melhorar a performance nessa reta final", disse um deles.
Apesar da alta, é consenso no mercado que a volatilidade continuará elevada. "O crescimento exponencial de casos globais de coronavírus desencadeou respostas políticas maciças em todo o mundo", ressaltou o diretor de pesquisa macro global da Oxford Economics, Ben May. "Porém, no curto prazo, a maior incerteza decorre do impacto dos bloqueios na atividade econômica."
*Com informações da Reuters