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    Brasil investe tanto quanto países da OCDE no ensino superior, mas destina três vezes menos à educação básica

    Dados constam no "Education at a Glance 2023", estudo da própria OCDE, que foi divulgado nesta terça-feira (12)

    Crianças em escola pública: governo investe três vezes menos que média da OCDE em educação básica
    Crianças em escola pública: governo investe três vezes menos que média da OCDE em educação básica Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

    Da CNN* São Paulo

    O governo brasileiro investe tanto quanto a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em ensino superior. Por outro lado, destina três vezes menos recursos que o clube dos países ricos à educação básica.

    Os dados constam no “Education at a Glance 2023”, estudo da própria OCDE, que foi divulgado nesta terça-feira (12).

    De acordo com a pesquisa, o governo brasileiro investe US$ 3.583 anualmente por estudante na educação básica. A média da OCDE é de US$ 10.949.

    Sul-americanos que constam no estudo aparecem à frente do Brasil: Argentina (US$ 3.975), Chile (US$ 6.774) e Colômbia (US$ 4.269). O México, emergente de características semelhantes às brasileiras, está atrás (US$ 2.702).

    No topo da lista, Luxemburgo investe US$ 26.370 por estudante anualmente. Os Estados Unidos aportam US$ 15.194.

    Quando o assunto é ensino superior, o governo brasileiro investe US$ 14.735 anualmente por estudante e quase iguala a média da OCDE, que é de US$ 14.839.

    Na comparação com sul-americanos e até com os Estados Unidos, o Brasil fica à frente. Vale destacar que os recursos privados destinados a estas modalidades não compõem os dados enumerados.

    O Censo Escolar da Educação Básica mais recente mostrou que o Brasil tem cerca de 45 milhões de alunos nas escolas públicas. Considerando a metodologia do estudo da OCDE, o país deve investir mais que os demais países para subir no ranking.

    Governo brasileiro e educação básica

    Em julho, o presidente Lula sancionou lei que cria o Programa Escola em Tempo Integral. A medida prevê que até o fim deste ano, um milhão de estudantes do ensino básico devem passar a ficar mais tempo na escola.

    Para isso, o governo vai investir R$ 4 bilhões, para que estados, municípios e o Distrito Federal consigam expandir os horários de atividades escolares.

    / Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

    Os dois primeiros governos de Lula, contudo, ficaram marcados pelo avanço da educação superior no país.

    Em 2020, o Congresso Nacional promulgou Emenda Constitucional que tornou permanente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

    A medida ampliou de 10% para 23% a participação da União no financiamento da educação básica e altera a forma de distribuição dos recursos entre os entes federados.

    *Publicado por Danilo Moliterno.