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    Brasil se torna atrativo aos investimentos estrangeiros com China em desaceleração, dizem especialistas

    Movimento deve se manter no médio prazo enquanto país asiático enfrenta deflação, crise imobiliária e fraqueza no mercado de trabalho

    Brasil vive um momento de liderança entre os países emergentes quando o assunto é atrair o capital estrangeiro direto
    Brasil vive um momento de liderança entre os países emergentes quando o assunto é atrair o capital estrangeiro direto Foto: Alan Santos - 13.nov.2019/PR

    Marien Ramosda CNN*

    São Paulo

    A recente perda de fôlego da China e as previsões pouco otimistas para o país asiático tornam o Brasil alvo de investidores estrangeiros entre os emergentes, dizem analistas ouvidos pela CNN.

    Segundo a gestora de fundos Equus Capital, esse fluxo de capital estrangeiro deve se manter ao menos no médio prazo à medida que as expectativas continuam reduzidas para o gigante asiático.

    Recentemente, Pequim informou que irá fortalecer medidas que contribuam na estabilidade da confiança no mercado. A afirmação vem em um momento no qual o país se vê imerso em uma série de problemas econômicos, como crise imobiliária, deflação, recorde de desemprego juvenil e envelhecimento da população.

    Mesmo que em 2023 o Produto Interno Bruto (PIB) da China tenha crescido 5,2% — dentro das projeções, mas ainda abaixo da média ao longo dos últimos 10 anos — o Banco Mundial prevê que em 2024 ocorra a expansão mais lenta já vista em três décadas, com uma desaceleração da economia chinesa para 4,5%.

    Além disso, espera-se uma diminuição do crescimento ainda mais acentuada em 2025, diante de uma soma de empecilhos que inclui restrições nos investimentos, cenário demográfico e dificuldade de recuperar a produtividade, segundo o relatório Global Economic Prospects divulgado pelo Banco Mundial em janeiro.

    Isso faz com que os consumidores sejam dissuadidos de gastar e que as empresas não se vejam tão motivadas a contratar e investir — ações que podem impactar o país a longo prazo.

    O cenário desafiador já está dando sinais com as ações chineses enfrentando o pior início desde 2016.

    Já em novembro de 2023, o indicador de Investimento Estrangeiro Direto (IED) da China ficou negativo pela primeira vez desde 1998, com uma queda de 8% ante 2022, informou o Ministério do Comércio do país.

    Análise foi feita por Felipe Vasconcellos, sócio da gestora de fundos, afirma que o Brasil pode ser visto como “bola da vez” no cenário global ao se tornar um lugar mais atrativo para os investidores internacionais, à medida que a economia da China perde fôlego.

    Direcionado aos setores de serviço, manufatura e recursos naturais, o país tem se destacado absorvendo 41% do total de investimentos estrangeiros na região, um crescimento de 97%, aponta análise da gestora com dados dos fluxos de investimento estrangeiro na América Latina em 2023.

    Investimento estrangeiro na América Latina

    Os Fluxos de Investimento Estrangeiro na América Latina e dos países emergentes têm se concentrado no Brasil, que aparece como um dos países que mais ampliou o IED no exterior, segundo Vasconcellos.

    Na bolsa brasileira, o volume de capital estrangeiro foi de mais de R$ 55 bilhões em 2023. Já em janeiro deste ano houve uma queda de aproximadamente R$ 7 bilhões, segundo dados até o dia 30, em movimento determinado principalmente pela reprecificação nas expectativas sobre o começo e a magnitude dos cortes de juros pelo Federal Reserve nos Estados Unidos.

    No segundo semestre de 2023, relatório da ONU mostrou que a região latina e o Caribe receberam fluxos recordes de investimento estrangeiro direto, com aumento de 55,2% das receitas de compras de ativos transfronteiriços em relação a 2021.

    No ranking, os Estados Unidos continuaram a ser o país a mais atrair investimento, com o Brasil emplacando em segundo lugar. O Canadá e o México ficam em terceiro, e só então vem a China.

    A projeção do Banco Mundial é de que a América Latina cresça ligeiramente em 2024, para 2,3%, antes de se firmar ainda mais, para 2,5% em 2025.

    Para o especialista da Equus Capital, o destaque para o México na região latina se aloca no setor automobilístico, ganhando US$ 5 bilhões de investimentos em Nuevo León com a construção da megafábrica da Tesla.

    O país acumula pouco mais que o Brasil na bolsa, destacando-se na renda variável com “uma onda de transferência de companhias e investimentos para o território mexicano” devido à temática do “nearshoring”, afirma.

    Para Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, o Brasil possui alguns pontos positivos que podem chamar a atenção dos investidores ante a China, que apresentou um crescimento abaixo das expectativas.

    Segundo ele, o Brasil é destaque por ter um agro robusto, matrizes energéticas renováveis e não estar próximo de conflitos geopolíticos.

    Ademais de possuir uma administração política expansionista relacionada a programa fiscal, mesmo que “seja um programa que apresente várias falhas, principalmente porque a principal preocupação (do governo) está na via das receitas e não na via das despesas”, analisa Jorge.

    Além disso, o especialista aponta que o Banco Central do país se antecipou em diversas medidas econômicas importantes que contribuíram para os investidores sentirem mais confiança, a exemplo do ciclo de corte de juros atual, em comparação com outros países emergentes que lutavam contra o aumento da inflação.

    Jorge faz a ressalva que o México, um dos países que concorre muito próximo ao Brasil, pode ainda sofrer com a eleição dos EUA caso Trump volte para a presidência e produza um ruído político.

    “O Brasil é um país que tenho visto que os investidores estrangeiros têm grande interesse em fazer negócios”, afirmou o especialista, destacando o potencial que ainda tem para crescer neste ano pelo somatório de atratividades, mesmo que “ainda exista muito ruído político”.

    *Sob supervisão de Gabriel Bosa