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CBDC: Entenda o que são as moedas digitais de um país

Versões modernizadas, emitidas e controladas diretamente pelo banco central passam por testes na China, EUA e Europa

Leonardo Rubinstein, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
Central Bank Digital Currency (CBDC).  • Imagem gerada por Inteligência Artificial
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Desde a criação da economia, a sociedade busca maneiras de facilitar as transações financeiras e modernizar os meios de pagamento. As CBDCs (Moeda Digital de Banco Central, na sigla em inglês) nascem justamente dessa necessidade de unir a praticidade da tecnologia blockchain com a regulação do dinheiro tradicional.

De forma simples, uma CBDC é uma versão digital da moeda oficial de um país. Da mesma forma que o Brasil tem o real, os EUA o dólar ou a União Europeia o euro, as CBDCs são visam ser suas versões modernizadas, emitidas e controladas diretamente pelo banco central.

Ao contrário das criptomoedas como o bitcoin, que são descentralizadas e operam em redes públicas, as CBDCs funcionam em sistemas permissionados, onde apenas instituições autorizadas validam as transações. É o conceito da descentralização na mão de um agente estatal.

Na prática, uma CBDC é o mesmo dinheiro que conhecemos, só que em formato digital e programável. Cada unidade representa uma obrigação do banco central, assim como o papel-moeda que naturalmente já circula entre bytes e bits em nosso cotidiano.

A diferença está na forma como esse dinheiro circula e nas possibilidades que ele traz para a economia.

Quais as vantagens dos CBDCs

Entre os principais objetivos das CBDCs estão aumentar a eficiência dos pagamentos, reduzir custos de emissão de dinheiro físico, facilitar transferências internacionais e ampliar a inclusão financeira.

Em vez de depender de intermediários, uma pessoa poderia receber ou enviar valores instantaneamente. Ou até mesmo transacionar valores sem a necessidade de ter uma conta bancária, apenas com uma carteira digital conectada ao sistema do banco central.

A tecnologia também permite a programabilidade — possível criar regras automáticas para o uso do dinheiro. Por exemplo, o governo poderia liberar auxílios com restrições de uso (como em alimentação ou transporte), ou automatizar pagamentos de impostos e subsídios. Isso abre caminho para políticas públicas mais ágeis e transparentes.

Sand Dollar, de Bahammas; Enaira, da Nigéria, e Jam-dex, da Jamaica. • CNN/ Edgar Yagui
Sand Dollar, de Bahammas; Enaira, da Nigéria, e Jam-dex, da Jamaica. • CNN/ Edgar Yagui

A tecnologia que possibilitaria tal programabilidade chama-se contratos inteligentes. O conceito já existe há anos em blockchains como a Ethereum e permite que um contrato entre duas partes seja executado de forma automática sem a necessidade de um terceiro.

Uma celebração de compra ou venda, por exemplo, poderia ser auditada e autoexecutada assim que o pagamento sobre o objeto na negociação caísse na carteira virtual do vendedor.

Privacidade é o maior desafio no Brasil

No Brasil, a principal preocupação com a implementação da moeda digital é a privacidade. O Real Digital encontrou na privacidade o maior empecilho para sair do papel. Isso acontece porque, como o dinheiro seria totalmente digital e rastreável, existe a preocupação em manter a devida legislação de sigilo bancário intacta.

Questões como segurança cibernética, interoperabilidade entre países e o impacto no sistema bancário também estão no centro do debate global sobre as CBDCs.

O Banco Central do Brasil abandonou a tecnologia blockchain de sua CBDC, o Drex. Enquanto isso, outros países avançam em testes.

A China lidera com o yuan digital, já em fase de uso comercial; o Banco Central Europeu estuda o euro digital; e os Estados Unidos se afasta do dólar digital com Donald Trump, presidente dos EUA, abominando a ideia do aumento de controle do Banco Central sobre o dinheiro.

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