Criptomoedas superam ações e CDBs entre investidores brasileiros
Facilidade de acesso e expectativa de valorização ajudam a explicar adesão aos ativos digitais

A 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pelo Datafolha em parceria com a Paradigma, mostra que 17,2% da população com mais de 16 anos, o equivalente a cerca de 29 milhões de pessoas, já investiu em criptoativos. O percentual supera o de brasileiros que afirmam já ter investido em ações (7,4%) e em CDBs e títulos públicos (15,1%).
Na lista de onde o brasileiro já colocou dinheiro, as criptomoedas aparecem em quinto lugar, atrás da poupança (57,1%), imóveis (34,0%), dinheiro guardado em casa (30,5%) e fundos de investimento (26,1%).
Para Bernardo Pascowitch, apresentador do Resenha do Dinheiro e fundador e CEO do Yubb, a expectativa de valorização é um dos principais fatores por trás da adesão.
“As criptomoedas entregam o sonho da valorização, o sonho do enriquecimento, o sonho do dinheiro rápido”, afirma.
Segundo ele, essa percepção ajuda a diferenciar os ativos digitais de produtos mais tradicionais, como ações e títulos de renda fixa, que podem estar associados a estratégias de investimento de prazo mais longo.
Porém, essa expectativa de ganhos vem acompanhada de um nível de risco diferente. A possibilidade de valorização expressiva em determinados períodos também significa que os criptoativos podem apresentar oscilações, o que exige atenção do investidor para não confundir potencial de retorno com garantia de ganho.
Acesso mais simples amplia público
Além da perspectiva de valorização, a facilidade para comprar criptomoedas também contribuiu para ampliar o público.
A entrada de bancos e fintechs no mercado reduziu barreiras que, no passado, tornavam o investimento menos acessível para quem não conhecia o funcionamento das corretoras especializadas.
“Antes o investidor acessava somente por corretoras ou por formatos mais difíceis. Agora, pelo banco, tudo isso é muito mais fácil, rápido e simples”, destaca Pascowitch.
De acordo com Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, essa transformação faz parte de um processo de amadurecimento do mercado.
“Hoje, é um público muito mais diverso, que chega aos ativos digitais por diferentes razões, seja para diversificação, exposição a uma nova classe de ativos ou para acessar produtos e possibilidades que surgiram dentro da economia digital”, avalia.
A aproximação com o sistema financeiro tradicional também ocorre com a expansão da oferta de ETFs, stablecoins e ativos tokenizados.
“É uma mudança que tende a ser estrutural, mas não porque cripto esteja substituindo ações, renda fixa ou outros investimentos. O que estamos vendo é uma ampliação do repertório do brasileiro”, diz Fontes.
Apesar da popularização e da facilidade de acesso, antes de comprar é importante entender o funcionamento do ativo, os riscos envolvidos e qual espaço pode ocupar na carteira.
“Cripto não precisa ser uma decisão de tudo ou nada. O ativo pode fazer parte de uma estratégia de diversificação, respeitando o perfil e os objetivos de cada investidor”, afirma.
Outro cuidado está na escolha da instituição utilizada para acessar o mercado. Segurança, transparência, governança e adequação às regras brasileiras são aspectos que devem ser considerados antes de realizar uma operação.
O crescimento dos criptoativos também não se limita ao bitcoin. A expansão de diferentes produtos digitais pode aumentar as possibilidades de uso e diversificação dentro desse mercado.
“As stablecoins de dólar são um exemplo. Esses ativos buscam manter seu valor próximo ao de uma moeda tradicional, como o dólar, e podem ser utilizados por investidores interessados em exposição à moeda americana. Além disso, têm se tornado uma alternativa para quem busca dolarização e liquidez e negociação diária”, complementa Pedro.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

