Efeito manada nos investimentos aumenta risco de prejuízo
Especialistas alertam que decisões tomadas por impulso e sem conhecimento elevam as chances de perdas no mercado financeiro

A alta de alguns ativos e a viralização de investimentos nas redes sociais têm levado investidores a entrar no mercado sem entender exatamente os riscos envolvidos.
Para Bernardo Pascowitch, apresentador do Resenha do Dinheiro, muitos acabam comprando ativos apenas porque eles passaram a subir rapidamente.
“Quando um ativo viraliza nas redes sociais, geralmente o preço já subiu, e quem entra nesse momento acaba comprando o entusiasmo alheio, não o valor real daquele ativo”, afirma.
O comportamento é conhecido no mercado como FOMO, sigla em inglês para “medo de ficar de fora”, e costuma aparecer em momentos de forte euforia.
“Tomar decisão porque ‘todo mundo está ganhando’ é terceirizar o julgamento para a multidão, que historicamente costuma errar nos momentos mais extremos do mercado”, explica.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, avalia que esse comportamento cresceu principalmente após a entrada de novos investidores no mercado durante a pandemia.
“Muitas pessoas passaram a investir sem entender exatamente o mercado e acabaram sendo influenciadas por ‘modinhas’, influenciadores e promessas de lucro rápido”, observa.
Segundo o especialista, o movimento aparece em diferentes tipos de ativos, desde ações e criptomoedas até IPOs e produtos financeiros com rentabilidades elevadas.
“Alguns acreditam que determinada ação continuará subindo ou que uma empresa será a próxima grande oportunidade do mercado e acabam aplicando dinheiro sem analisar os riscos. Isso acontece muito em IPOs, quando o investidor acredita que está entrando no começo de algo grandioso e ignora os riscos”, explica Sant’Anna.
Além disso, é importante entender a diferença entre preço e valor de um investimento.
“Um ativo subir 300% não significa que ele vale 300% mais. Significa apenas que mais pessoas querem comprar aquele ativo. São conceitos completamente diferentes”, diz Pascowitch.
Nesse cenário, as decisões financeiras também nascem de fatores emocionais. Para Soraia Pena, psicóloga comportamental, quando há promessa de lucro rápido, o imediatismo toma conta do indivíduo e a decisão passa a ser reativa.
“É importante entender se o objetivo é construir patrimônio no longo prazo ou apenas aliviar uma angústia momentânea”, afirma.
Para evitar esse tipo de comportamento, Pascowitch destaca formas de identificar se um investimento possui fundamentos ou se depende apenas da empolgação do mercado.
“A empresa tem receita? O crescimento do preço está acompanhado do crescimento dos resultados? Você consegue explicar em poucas frases por que aquele ativo vale o preço atual? Se a resposta for apenas ‘porque está subindo muito’, provavelmente estamos falando de hype”, analisa.
Apesar dos riscos, os investidores até podem destinar uma pequena parcela do patrimônio para ativos mais especulativos, desde que entendam os riscos envolvidos.
“É possível investir em ativos que passam por momentos de grande hype e euforia, mas é preciso entender que isso se aproxima mais de uma aposta do que de um investimento. Nesses casos, o ideal é comprometer apenas uma pequena parcela do patrimônio, que não faria falta caso o ativo vá a zero”, pondera o apresentador.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.


