Exchanges de criptomoedas: o que são e quem as regulam

Modelos centralizados e descentralizados apresentam diferentes vantagens; corretoras passam por regulamentação

Leonardo Rubinstein, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
Exchanges são as corretoras do mundo das criptomoedas.  • Imagem gerada por Inteligência Artificial.
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Uma exchange de criptoativos é o principal ponto de acesso ao mercado de criptomoedas. É o equivalente a uma plataforma de investimentos para o mercado cripto.

Em outras palavras, é por meio delas que investidores e usuários compram, vendem, trocam e armazenam moedas digitais como bitcoin, ethereum e outras milhares de opções disponíveis no mercado.

Dentro de uma exchange é onde acontece a “magia" para o investidor de cripto. O ambiente viabiliza negociações, e através da formação da oferta e demanda que o preço das criptomoedas é formado na plataforma.

É também por esse motivo que o preço de uma mesma criptomoeda pode diferir entre diferentes plataformas. Contudo, com a ação dos arbitradores — agentes que lucram em cima dessa diferença — a lacuna de preço tende a ser ínfima.

O que faz uma exchange?

As exchanges funcionam como plataformas de intermediação, conectando quem quer comprar a quem quer vender.
Elas operam de maneira semelhante a uma bolsa de valores, com um livro de ordens (order book) que mostra em tempo real todas as ofertas de compra e venda.

Além disso, oferecem ferramentas de análise, conversão entre moedas, e até serviços adicionais como staking — uma forma de renda passiva em cripto — empréstimos e negociações com alavancagem.

Centralizadas e descentralizadas

As exchanges centralizadas (CEX) são, em sua maioria, empresas reguladas ou no caminho para se regular.

Elas são administradas por uma empresa, que realiza o controle operacional e de segurança das transações, armazenando temporariamente os ativos dos clientes. É o modelo mais popular e acessível para iniciantes, como a Coinbase.

Na outra ponta, as exchanges descentralizadas (DEX) operam por meio de contratos inteligentes, sem intermediários. Trata-se de um programa, em sua maioria de código aberto, e que opera direto em uma rede blockchain.

Entenda os principais modelos de exchanges de criptomoedas. • Edgar Yagui/ CNN
Entenda os principais modelos de exchanges de criptomoedas. • Edgar Yagui/ CNN

A tecnologia de contrato inteligente possibilita que ambas as partes possam negociar de forma trustless — sem a necessidade de confiar em uma terceira parte para honrar os pagamentos. Isso acontece porque o contrato executa as negociações de forma automática.

O usuário negocia diretamente de sua carteira digital com outros participantes, mantendo a custódia total dos seus criptoativos. Exemplos incluem Uniswap e PancakeSwap.

Vantagens e desvantagens

Negociar em uma exchange traz diversas vantagens: facilidade de uso, liquidez (ou seja, facilidade para comprar e vender), acesso a uma grande variedade de moedas e possibilidade de realizar transações em poucos cliques.

Além disso, exchanges maiores investem pesado em segurança e oferecem suporte técnico e interface intuitiva, facilitando a entrada de novos investidores.

Mas também há desvantagens e riscos. No caso das plataformas centralizadas, o usuário precisa confiar na exchange, já que os ativos ficam sob custódia dela — o que significa que hacks, falhas de gestão ou bloqueios podem causar prejuízos.

Por isso, é comum a máxima no mercado cripto: ‘not your keys, not your coins’ (se as chaves não são suas, as moedas também não são). Já nas DEXs, o risco é o oposto: a responsabilidade é totalmente do usuário, que precisa dominar as ferramentas e se proteger de golpes ou erros nas transações.

Vale ressaltar que as exchanges, seja ela centralizada ou descentralizada, não são o único caminho para negociar criptomoedas.

Apesar de serem as opções mais usadas, e consolidadas, existem também plataformas peer-to-peer (P2P), onde compradores e vendedores fazem transações diretas, sem intermediários. Como comprar e vender ouro com uma pessoa na rua.

Além disso, empresas e até caixas eletrônicos especializados (os Bitcoin ATMs) permitem comprar e vender criptomoedas de forma alternativa, embora com menos praticidade ou liquidez.

Regulação no Brasil

No Brasil, as exchanges estão passando por um processo de regulamentação formal. A Lei nº 14.478/2022, conhecida como Marco Legal dos Criptoativos, estabelece diretrizes gerais para o funcionamento dessas empresas no país.

A responsabilidade pela supervisão ficou com o Banco Central (BC), que é a autoridade indicada para autorizar e fiscalizar o funcionamento das corretoras de criptomoedas. Além disso, quando as operações envolvem valores mobiliários, como tokens que representem investimentos, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também pode atuar.

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