Dólar cai 1%, a R$ 5,38; Ibovespa recua 0,6%, com queda de 7% na Petrobras
Está no radar dos investidores a fala do presidente Jair Bolsonaro sobre preço dos combustíveis e preocupações com o lado fiscal

Depois de começar o dia em alta, o dólar inverteu a tendência e fechou em queda de 1,02% nesta sexta-feira (19), valendo R$ 5,385. Com a redução, a moeda arrefeceu a alta que vinha acumulando e encerrou a semana com avanço de 0,2%.
Já o Ibovespa, que chegou a ficar no zero a zero no início da tarde, voltou a cair ao longo da tarde, puxado pela Petrobras. O principal índice da bolsa encerrou o pregão em queda de 0,64%, a 118.430 pontos.
No campo negativo, claro, estão as ações da Petrobras. Elas lideram as perdas do Ibovespa, com a repercussão a ameaças verbalizadas na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro diante dos sucessivos reajustes de preços praticados pela petrolífera.
A ação preferencial (PETR4) caiu 6,12%, enquanto o papel ordinário (PETR3) recuou 7,54%.
Bolsonaro afirmou em transmissão na noite da véspera que "obviamente" vai ter consequência a fala do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que dias atrás havia dito que a ameaça de greve de caminhoneiros não era problema da empresa.
Bolsonaro também antecipou a renúncia dos impostos federais sobre o gás de cozinha e a interrupção da tributação federal sobre o óleo diesel por dois meses. O anúncio veio poucas horas depois de a Petrobras anunciar reajustes acima de 10% no preço do diesel e da gasolina, a partir desta sexta-feira.
Comentando o caso em nota a clientes, o Goldman Sachs afirmou ver "a notícia como negativa para a empresa porque adiciona ruído à análise de investimento".
Também em relatório, a Levante Investimentos lembrou que Bolsonaro também havia ameaçado demitir o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, após o banco ter anunciado um plano de fechamento de agências e de demissão voluntária.
"Os impactos de uma possível intervenção na Petrobras podem afugentar o capital estrangeiro para investimentos (...) se espalhar para em ativos nos setores de infraestrutura, energia elétrica e em todos os setores que há alguma regulamentação estatal mais firme, com consequências no médio e longo prazos", afirmou a Levante no documento.
Com esse ruído no foco, de pouco valia a influência positiva de Wall Street, com recuperação leve das ações de tecnologia.
Com Reuters