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    Ibovespa fecha em queda puxada por Americanas; dólar recua a R$ 5,10

    Noticiário sobre a varejista acabou ofuscando a relevante pauta do penúltimo pregão da semana, que também contou com anúncio de medidas fiscais pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e dados de preços ao consumidor dos Estados Unidos

    Do CNN Brasil Business

    O Ibovespa fechou nesta quinta-feira (12) em queda de 0,59%, aos 111.850,22 pontos, puxado pelo tombo de quase 80% nas ações da Americanas. Na noite de quarta-feira (11), a companhia anunciou um rombo de R$ 20 bilhões.

    As ações da varejista fecharam com desvalorização de 77,33%, negociadas a R$ 2,72. A Americanas perdeu mais de US$ 8 bilhões em valor de mercado hoje.

    O noticiário sobre a varejista acabou ofuscando a relevante pauta do penúltimo pregão da semana, que também contou com anúncio de medidas fiscais pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e dados de preços ao consumidor dos Estados Unidos.

    O anúncio do rombo da empresa também puxou outras varejistas e bancos para o vermelho, como Meliuz (-5,83%), Via (-5,38%), BTG, Alpagartas (-4,1%), Natura (-2,83%), Cielo (-2,94%), Pão de Açúcar (-2,52%), Grupo Soma (-2,25%) e Multiplan (-1,76%).

    Já as ações do Magazine Luiza puxaram o campo positivo com valorização de 5,28%.

    A queda do Ibovespa ocorre após uma sequência de seis pregões de alta, em que o Ibovespa acumulou valorização de 8%.

    O dólar fechou em queda de 1,56% nesta quinta-feira (12), cotado a R$ 5,10 na venda, marcando o terceiro recuo seguido da moeda e a maior desvalorização percentual diária desde sexta-feira (6), quando foi de 2,17,  e a cotação de fechamento mais baixa desde 4 de novembro (R$ 5,052).

    O resultado do dia veio após a divulgação de dados de inflação norte-americanos mais fracos do que o esperado, enquanto investidores têm melhorado sua percepção sobre o ambiente doméstico em meio a acenos da ala econômica do governo à responsabilidade fiscal.

     

    Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário caiu 0,40%, a R$ 5,181 na venda, renovando mínima para encerramento desde 23 de dezembro (R$ 5,165).

    O Banco Central fez neste pregão leilão de até 16 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de fevereiro de 2023.

    Americanas no radar

    Os investidores passaram o dia de olho na Americanas neste pregão. Isso porque a varejista divulgou um rombo de R$ 20 bilhões no balanço da companhia, o que fez com que o presidente renunciasse após a descoberta, depois de dez dias no cargo.

    De acordo com relatório do Bradesco BBI que foi divulgado nesta manhã, a regularização dessas “inconsistências” contábeis pode afetar os bancos credores da empresa.

    Essas operações de não inserir no balanço as operações com fornecedores são conhecidas no mercado como “risco sacado” ou “fotfait”. Segundo o BBI, são operações que usam recebíveis de clientes para alavancar a companhia com financiamento nos bancos com a garantia da empresa. E essas operações não constam no balanço.

    Um ofício de janeiro do ano passado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já alertava para essa prática, dizendo às consultorias que alertassem as empresas que auditam sobre os riscos dessa operação.

    Para os analistas da Guide Investimentos, a Americanas já enfrentava problemas com resultados fracos e erros no mix de produtos. E agora aparece essa inconsistência contábil com montante gritante.

    Outros analistas alertam para o risco sistêmico que o problema da Americanas pode desencadear – não só bancos, mas com empresas de consultoria e auditoria e outras varejistas, colocando sob suspeita a transparência na gestão contábil das empresas.

    Este ano, as ações da Americanas acumulavam alta de mais de 23%, depois de terem perdido quase 70% no ano passado por causa da elevação de juros.

    XP, Itaú, Morgan Stanley e Bradesco estão entre as casas que já colocaram a recomendação da ação sob revisão, à espera de maior visibilidade do caso.

    *Publicado por Ligia Tuon e Ana Carolina Nunes / Com informações de Thais Herédia