Ibovespa fecha abaixo de 100 mil pontos após decisão do Copom; dólar sobe a R$ 5,29
Além da decisão do BC pela manutenção da Selic em 13,75%, também pesou no mercado as novas críticas de Lula a Campos Neto e a escalada no conflito entre os titulares da Câmara dos Deputados e do Senado
O Ibovespa fechou em queda de 2,29% nesta quinta-feira (23), aos 97.926,34 pontos, invertendo o movimento de alta visto mais cedo, enquanto investidores digerem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em manter a taxa Selic no elevado patamar de 13,75%.
Pregão também foi influenciado por novas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao BC e pela escalada no conflito entre os titulares da Câmara dos Deputados e do Senado.
Já o dólar teve alta de 1,02%, cotado a R$ 5,289 na venda. O receio em torno dos atritos entre o governo Lula e o Banco Central, após a autoridade monetária ter descartado cortes da Selic no curto prazo, se sobrepôs a todos os demais fatores baixistas para a moeda norte-americana hoje.
Com a Selic em patamares altos por mais tempo, o que torna o Brasil mais atrativo para os investidores estrangeiros, era natural esperar uma queda do dólar ante o real nesta quinta-feira. Só que o receio de que a relação entre governo e BC se deteriore ainda mais colocou a moeda norte-americana em trajetória de alta ante o real.
O movimento pela manutenção dos juros brasileiros já era esperado, mas, contrariando as expectativas de comedimento, o BC subiu o tom no comunicado após a decisão e não descartou a possibilidade de mais apertos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, considerou o comunicado "muito preocupante", na mais recente crítica de membros do governo à autoridade monetária e ao patamar de juros do país.
Na tarde desta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o BC e seu dirigente, Roberto Campos Neto, em evento no Rio de Janeiro.
“Quem tem que cuidar do Campos Neto é o Senado que o indicou. Ele não foi eleito pelo povo, não foi indicado pelo presidente, ele foi indicado pelo Senado”, afirmou, acrescentando que “quando tinha [Henrique] Meirelles“, ele falava com o então presidente do BC.
“Se esse cidadão quiser, nem precisa conversar comigo. Ele só tem que cumprir a lei que estabeleceu a autonomia do Banco Central.”
As falas do presidente ajudaram a empurrar o principal índice da bolsa para baixo, com os investidores reagindo às escaladas de tensão entre Lula e o BC.
Na véspera, o dólar fechou o dia cotado a R$ 5,236 na venda, em baixa de 0,17%. O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,77%, aos 100.220,63 pontos.
O Banco Central fará neste pregão leilão de até 16 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de maio de 2023.
Cenário internacional
No cenário internacional, bancos centrais seguem no radar, após autoridades da Suíça e Noruega indicarem que o ciclo de altas nos juros ainda não terminou.
O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) também decidiu sobre a política monetária do Reino Unido nesta quinta e elevou a taxa de juros em 0,25 p.p.
A autoridade disse esperar que o aumento da inflação esfrie mais rápido do que antes, apesar do aumento inesperado na taxa inflacionária divulgado na quarta-feira.
Soando mais otimistas sobre as perspectivas para o ritmo lento de crescimento econômico do país, os nove membros do comitê do BoE votaram por 7 a 2 a favor de um aumento de 25 pontos-base nos juros, para 4,25% – o 11º aumento consecutivo.
"O comitê continuará monitorando de perto as indicações de pressões inflacionárias persistentes, incluindo o aperto das condições do mercado de trabalho e o comportamento do crescimento salarial e da inflação de serviços", disse o banco central.
"Se houver evidências de pressões mais persistentes, será necessário um maior aperto da política monetária", acrescentou.
Na quarta, o movimento do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) trouxe alívio aos mercados.
Apesar da alta de 0,25 p.p. nos juros, a autoridade adotou um tom mais moderado para falar sobre a trajetória futura da taxa, ao dizer que “algum endurecimento adicional” da política monetária “poderá ser apropriado” para que a inflação convirja à meta.
*Publicado por Tamara Nassif e Ana Carolina Nunes. Com informações da Reuters.


