Ibovespa fecha em queda de 0,35% com minério de ferro; dólar encerra dia estável

Principal índice da B3 terminou o dia aos 98.608,76 pontos; moeda norte-americana subiu 0,07%, a R$ 5,325

João Pedro Malar, em São Paulo
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O Ibovespa teve queda de 0,35%, aos 98.608,76 pontos, nesta segunda-feira (4). O índice foi prejudicado pela piora nos cenários doméstico e internacional, com as ações ligadas ao minério de ferro, em especial a Vale, entre os principais recuos da sessão.

As ações de petroleiras, como a Petrobras, subiram, seguindo a valorização do preço do petróleo, e chegaram a puxar o índice para a ponta positiva por algumas horas na sessão.

Já o dólar fechou em alta de 0,07%, a R$ 5,325, após rondar a estabilidade com o feriado nos Estados Unidos reduzindo a liquidez nas negociações e abrindo margem para uma correção do real depois de ter uma forte desvalorização.

Riscos fiscais no Brasil e temores globais sobre uma possível recessão seguiram no radar, prejudicando a moeda norte-americana.

A China anunciou ainda novos lockdowns para combater um novo surto de Covid-19, dessa vez na província de Anhui. A decisão reforça temores sobre a situação econômica do país, que passa por uma desaceleração de impacto global.

Há também o pessimismo quanto à economia dos Estados Unidos, com projeções crescentes de recessão em meio à alta de juros no país. A perspectiva de uma economia mundial deteriorada aumenta a aversão a riscos, beneficiando o dólar e retirando investimentos de mercados considerados arriscados.

O mercado também ficou atento à tramitação da PEC dos Combustíveis na Câmara, após aprovação no Senado. Com gastos estimados em cerca de R$ 41 bilhões, ela prevê decretar um estado de emergência para justificar gastos fora do teto e ampliar benefícios sociais. A medida não foi bem recebida pelo mercado, e tem levado a uma retirada de investimentos devido à possibilidade de descontrole de gastos.

Na sexta-feira (1º), o dólar teve alta de 2,46%, a R$ 5,112, encerrando a semana com valorização de 1,33%. Já o Ibovespa caiu 2,73%, aos 102.598 pontos, e ganho semanal de 0,29%.

Minério de ferro

Os contratos futuros de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Singapura caíram nesta segunda-feira, prejudicados por uma perspectiva sombria para a demanda pelo ingrediente siderúrgico na China, onde muitas siderúrgicas estão sofrendo perdas e reduzindo a produção.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian da China encerrou as negociações em queda de 5,8%, a 719,50 iuanes (US$ 107,49) a tonelada, estendendo as perdas para uma terceira sessão e atingindo seu menor nível desde 23 de junho.

Na Bolsa de Cingapura, o contrato para agosto caiu 4,8%, a US$ 109,15 a tonelada.

As usinas da China, maior produtor mundial de aço, paralisaram dezenas de altos-fornos à medida que os estoques se acumulavam após o enfraquecimento da demanda doméstica, atingida pelos lockdowns contra Covid-19 e pelo mau tempo.

A perspectiva crescente de uma recessão global também pesou no sentimento do mercado, juntamente com a medida da China para reduzir a produção de aço sob seu plano de descarbonização.

"Esperamos que os futuros de minério de ferro sejam negociados em baixa esta semana, devido a esses fatores fortemente negativos de preços", disse Atilla Widnell, diretor administrativo da Navigate Commodities em Cingapura.

Sentimento global

Os investidores ainda mantêm uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 4 de maio. A autarquia já chegou a descartar altas de 0,75 ponto percentual nos juros, ou um risco de levar a economia do país a uma recessão, mas sinalizou ao menos mais duas altas de 0,5 p.p.

Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha os dados sobre a economia do país para entender o quão agressivo o Fed poderá ser no processo.

A confirmação da contração da economia dos Estados Unidos no primeiro trimestre, por exemplo, reforçou a visão de que a autarquia não deveria ser tão agressiva na alta de juros quanto o previsto. Já a inflação de maio sinalizou um quadro mais negativo, reforçando apostas de juros terminais maiores.

Por outro lado, com o fim do lockdown na cidade chinesa de Xangai e alívio nas restrições na capital Pequim, a expectativa era que a demanda chinesa retorne aos níveis anteriores, o que voltou a favorecer exportadores de commodities e aliviou uma parte das pressões sobre o real, mas novas restrições foram anunciadas.

O Ibovespa e o real encontraram espaço para valorização entre o fim de maio e o começo de junho, mas a combinação de um cenário doméstico pior com o retorno de um risco fiscal e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta segunda-feira:

Maiores altas

  • Hapvida (HAPV3) +7,47%;
  • Locaweb (LWSA3) +4,20;
  • BRF (BRFS3) +3,15%;
  • Positivo (POSI3) +3,13%;
  • PetroRio (PRIO3) +3,12%

Maiores baixas

  • IRB Brasil (IRBR3) -4,63%;
  • Yduqs (YDUQ3) -4,31%;
  • Magazine Luiza (MGLU3) -3,18%;
  • Via (VIIA30 -3,17%;
  • Vibra (VBBR3) -3,14%

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*Com informações da Reuters

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