
Justiça climática: o que está em jogo entre países ricos e pobres na COP30
Tema deve marcar as negociações entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento durante a COP30

A discussão sobre justiça climática será um dos principais pontos de tensão da COP30, que acontece a partir do dia 10, em Belém. O tema gira em torno de uma questão central: quem deve pagar a conta da crise climática?
O conceito parte do reconhecimento de que os impactos das mudanças climáticas não afetam todos os países da mesma forma. Nações historicamente mais pobres tendem a sofrer mais com os eventos extremos, mesmo tendo contribuído menos para as emissões de gases de efeito estufa.
Desde a Revolução Industrial, países desenvolvidos foram responsáveis pela maior parte das emissões globais. Já as nações em desenvolvimento, como o Brasil, são mais vulneráveis a secas, enchentes e ondas de calor, e contam com menos recursos financeiros e tecnológicos para adaptação.
O tema deve orientar as negociações do NCQG — mecanismo que pretende substituir a meta anterior de US$ 100 bilhões anuais prometida pelos países ricos a partir de 2009.
De acordo com o professor da USP e analista da CNN Brasil, Pedro Côrtes, a pressão por um novo acordo financeiro é uma das mais fortes desta edição.
“Desde a Revolução Industrial, os países ricos encheram a atmosfera de gases de efeito estufa para crescer. Hoje, têm dinheiro e tecnologia para se adaptar. Enquanto isso, nações pobres — que quase não contribuíram para o problema — são fortemente afetadas pelos eventos extremos”, explica.
Segundo Côrtes, a COP30 deve concentrar os esforços na definição das regras para o novo fundo e na busca por um consenso sobre financiamento climático, transferência de tecnologia e compensações. “A conta não fecha, e os países em desenvolvimento sabem disso. Por isso, a pressão por financiamento climático cresceu”, afirma o especialista.


