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    Leilão com investimento recorde aumentará segurança contra apagões, diz diretor da Aneel à CNN

    Serão negociados três mil quilômetros em linhas de transmissão, com investimentos da ordem de R$ 21,7 bilhões

    Sandoval Feitosa, diretor-geral da Petrobras
    Sandoval Feitosa, diretor-geral da Petrobras Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

    Danilo MoliternoThiago Félixda CNN

    São Paulo

    O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, afirmou em entrevista à CNN que o segundo leilão de transmissão de 2023, que soma R$ 21,7 bilhões em investimentos — cifra recorde —, ajudará a tornar o sistema brasileiro mais robusto e seguro contra eventos adversos, como apagões.

    “A realização de mais um leilão reforça a robustez e o crescimento contínuo do sistema. Continuamos interligando as regiões do país, exatamente para que tenhamos um sistema de transmissão cada vez mais robusto, interligado e seguro”, disse.

    O leilão será realizado em São Paulo na próxima sexta-feira (15). Serão negociados nove empreendimentos, que totalizam mais de três mil quilômetros em linhas de transmissão. Os prazos de construção variam entre 60 e 72 meses e, segundo estimativa, gerará quase 37 mil empregos.

    Os linhões leiloados passam por cinco estados do Brasil: Goiás, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins. Estes empreendimentos servem para transportar energia por longas distâncias e em alta tensão.

    Dentre os lotes leiloados, o trecho que envolve maiores montantes e complexidade técnica vai de Graça Aranha (MA) a Silvânia (GO). Essas linhas vão levar energia de fontes renováveis, como eólica e solar, gerada no Nordeste a outras localidades do país.

    Ex-diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata explica que a geração de energia pode não ocorrer próxima à localidade em que há o consumo. É neste vácuo que entram as linhas de transmissão.

    “Hoje, nossa ampliação da capacidade de produção se dá no Nordeste, que é onde estão fontes eólicas e solares, que são as mais barata. Essa é uma área superavitária, exportadora”, explica.

    “É fundamental que a gente tenha capacidade de exportar essa energia para outros lugares”.

    Vanderlei Martins, especialista em energia e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), reitera a visão de que, ao agregar estas fontes, o Sistema Interligado Nacional (SIN) se torna mais robusto e seguro.

    “Quanto mais possibilidades tiver de escoamento desta energia renovável, num episódio de crise, que são bem esporádicos e controlados, melhor”, apontou.

    Complexidades do leilão

    Os altos investimentos do leilão se concentram em apenas três lotes, que envolvem considerável complexidade técnica. Sandoval Feitosa admite que as especificidades das linhas podem diminuir a concorrência, mas mantém otimismo quando ao resultado do certame.

    “Já existem empresas demonstrando interesse em participar deste leilão. Mas, claro, por ser um leilão com intensivo investimento em pouca quantidade de lotes, é possível que haja menor concorrência dado os vultosos investimentos”, disse.

    Otimismo a parte, o diretor-geral destaca os esforços para aperfeiçoar os processos de leilão.

    O primeiro certame foi considerado um sucesso, contudo, após as batidas de martelo, a Aneel teve que desqualificar um dos vencedores por não apresentar capacidades técnicas e financeiras para o empreendimento.

    “Vamos passar a exigir informações contábeis auditadas a partir de 2024. E colocamos uma etapa concorrencial, para caso algum proponente dê o lance e não siga com as etapas de assinatura do contrato. Ou seja, se isso acontecer, teremos a possibilidade de fazer uma sessão extraordinária do leilão”, explicou.

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