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    Lula chega à Índia para a cúpula mais dividida da história do G20

    Presidente vai defender adoção de medidas contra desigualdades e mudanças climáticas, mas países do bloco estão rachados em relação à guerra na Ucrânia e meio ambiente

    Américo Martinsda CNN

    Enviado especial a Nova Delhi, Índia

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova Delhi, capital da Índia, na tarde desta sexta-feira (8) para participar da reunião de cúpula mais dividida da história do G20.

    Lula quer aproveitar o evento para discutir três tópicos considerados prioritários pelo governo brasileiro: o combate à pobreza e à fome; a transição para uma matriz energética mais limpa e a contenção das mudanças climáticas; e a defesa de mudanças profundas no sistema de governança global, incluindo o Conselho de Segurança da ONU.

    Vários países do bloco, no entanto, têm outras prioridades e estão completamente rachados em relação a vários tópicos.

    Os principais pontos de discórdia são a guerra na Ucrânia, a proposta de adoção de possíveis metas de uso de energia renovável e discussões sobre limitações no uso de combustíveis fósseis.

    O racha é tão profundo que as negociações entre os diplomatas de cada país continuam emperradas, levantando a possibilidade de que o encontro chegue ao fim sem um comunicado oficial de líderes se comprometendo com determinadas ações – o que seria um fato histórico e inédito.

    Lula e Janja são recepcionados na Índia / Ricardo Stuckert

    A CNN apurou que nas últimas horas houve um progresso significativo com relação aos pontos de negociação relacionados ao meio ambiente. No entanto, a guerra da Ucrânia continua em total impasse.

    A persistência dessa divisão vai criar um desafio para Lula, que assume a presidência do G20 de forma simbólica das mãos do primeiro-ministro indiano Narendra Modi ao fim da cúpula.

    Bloco rachado

    Os países do G7, o bloco de grandes democracias liberais liderado pelos Estados Unidos, querem uma forte condenação da invasão da Ucrânia como condição para concordar com a declaração final.

    Rússia, o país invasor, e a China, maior aliado do Kremlin, são contra, defendendo até que nenhuma menção seja feita à guerra –argumentando que o G20 é um bloco mais focado em economia do que em geopolítica.

    Deixando suas posições ainda mais claras, os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping nem se deram ao trabalho de vir a Nova Delhi.

    A Índia, que quer projetar uma imagem de potência emergente ao mundo e luta para que a cúpula dê resultados concretos, apresentou uma sugestão salomônica.

    O governo indiano quer que o bloco condene o sofrimento causado pela invasão da Rússia, mas também inclua posições de Moscou e Pequim de que o fórum não é o lugar para a geopolítica.

    O impasse promete persistir até o último momento. Já foi assim, inclusive, com duas outras reuniões de alto nível do G20: as reuniões de ministros das fazendas e a de ministros das relações exteriores chegaram ao final sem nenhuma declaração –mostrando que, de fato, é muito difícil chegar a qualquer consenso.

    Além disso, o G20 está dividido quanto aos compromissos de redução progressiva da utilização de combustíveis fósseis, aumento das metas de energias renováveis e redução das emissões de gases com efeito de estufa.

    Segundo a CNN apurou, o Brasil e a África do Sul, que têm boas relações tanto com o mundo ocidental como com China e Rússia, estão tentando atuar como mediadores.

    Para o Brasil, uma declaração de consenso e algum progresso na cúpula de Delhi é importante justamente pelo país assumir a presidência no ano que vem.