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1 em 3 negros foi discriminado ao tentar adquirir produtos, diz pesquisa

Estudo do Instituto Akatu e DataRaça revela que consumidores negros, que movimentam cerca de R$ 1,9 trilhão por ano, estão mais criteriosos e protagonistas na hora das compras

Gisele Farias, da CNN Brasil*, São Paulo
Trainee
Cerca de 24,6% puniram empresas racistas ao criticar ou deixar de consumir  • Foto: UnSplash
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Cerca de 1 a cada 3 negros no Brasil sofreu discriminação ao tentar acessar produtos ou serviços no último ano, mostrou uma pesquisa do Instituto Akatu e do Instituto DataRaça, divulgada nesta segunda-feira (10) e apresentada durante a 11a edição do Fórum Brasil Diverso, em São Paulo.

O número representa 34,8% da população negra, com destaques para os segmentos de varejo (41%), supermercados (28%) e shoppings (19%).

O levantamento, com execução técnica da Market Analysis, baseado em dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), mostrou também que os consumidores negros, que movimentam cerca de R$ 1,9 trilhão por ano no país, estão mais criteriosos e protagonistas na hora das compras, principalmente os jovens e as mulheres.

Segundo o estudo, 37,4% já premiaram marcas que respeitam a população negra, comprando ou recomendando. Por outro lado, 24,6% puniram empresas racistas ao criticar ou deixar de consumir.

Esse comportamento é mais forte entre jovens de 18 a 34 anos e mulheres negras, grupos mais engajados e atentos às práticas de inclusão. Entre as mulheres, 42,6% afirmam já ter recompensado empresas alinhadas a valores de equidade racial, enquanto 30,2% disseram ter boicotado marcas.

Referente ao recorte por faixa etária, a geração Z aparece como o grupo mais mobilizado. Segundo a pesquisa, 73,9% desses jovens percebem discriminação em compras e serviços, mas 45,5% já premiaram marcas inclusivas — um sinal de que o futuro do consumo será guiado por propósito e coerência.

Quanto às regiões do país, o Nordeste lidera com engajamento na internet e ativismo de consumo, principalmente através das redes sociais (67,4%), além de ter maior otimismo sobre o poder transformador das marcas, mostrou ainda o levantamento.

Já o Sudeste concentra o maior nível de confiança no YouTube, com cerca de 72,5% das pessoas utilizando o canal. O Centro-Oeste se destaca pelo uso do WhatsApp (49,5%) e o Sul apresenta a maior percepção de barreiras raciais no consumo.

Setores e desafios

Os setores de e-commerce, higiene e beleza, moda e bancos possuem a melhor avaliação sobre inclusão racial, todos com mais de 70% de aprovação quanto à  representatividade, atendimento e coerência de discurso, mostrou a pesquisa.

No outro lado, bebidas, medicamentos e setor alimentício aparecem como os que menos dialogam com a diversidade racial, abaixo da média geral.

Referente aos desafios, os setores com atendimento presencial, como varejo físico, shoppings e supermercados, possuem mais dificuldades e, ao mesmo tempo, as maiores oportunidades de evolução.

Na percepção de valor das marcas, os consumidores consideram a representatividade real como principal fator determinante, sendo a presença de pessoas negras em campanhas de publicidade o principal motivo para uma avaliação positiva.

Para 64%, ver pessoas negras retratadas de forma positiva e diversa aumenta a confiança na marca. Já 69% afirmam que a ausência de profissionais negros em cargos de liderança ou como porta-vozes reduz a percepção de autenticidade.

Os principais erros são uso superficial da cultura negra (até 18%) e a ausência de campanhas sobre igualdade racial (15%).

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