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    AGU prepara parecer sobre disputa bilionária entre prefeituras e concessionárias de infraestrutura

    De alguns anos para cá, municípios enxergaram uma possibilidade de aumentar sua arrecadação

    Prefeitura de Guarulhos tem feito cobranças de IPTU à concessionária do aeroporto da cidade
    Prefeitura de Guarulhos tem feito cobranças de IPTU à concessionária do aeroporto da cidade Rovena Rosa/Agência Brasil

    Daniel Rittnerda CNN

    Brasília

    A Advocacia-Geral da União (AGU) vai elaborar parecer vinculante sobre um dos maiores fatores de insegurança jurídica para investidores na área de infraestrutura: a cobrança de IPTU por inúmeras prefeituras espalhadas pelo país sobre concessões de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

    O tema vem sendo objeto de disputa, nos tribunais, entre concessionárias e municípios. O impacto da cobrança sobre ativos de infraestrutura é bilionário e relativamente recente.

    Nesta segunda-feira (22), a Câmara de Promoção de Segurança no Ambiente de Negócios abrirá uma tomada de subsídios para recolher contribuições públicas para a elaboração do parecer. A câmara é um órgão da AGU, criado pelo ministro Jorge Messias, no ano passado.

    As contribuições poderão ser enviadas até o dia 22 de maio. Com base em suas discussões internas e no que for recebido, a AGU concluirá um parecer vinculante sobre o assunto — ou seja, um documento que precisará ser seguido por todas as esferas da administração pública federal em processos judiciais.

    O assunto esquentou porque, neste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral em um recurso movido pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) — controlada pela VLI Logística — contra o município de Varginha (MG).

    Isso significa que, quando o STF julgar esse caso específico, a decisão valerá para todos os municípios que têm cobrado IPTU de concessionárias de infraestrutura.

    Alguns casos já se tornaram clássicos: a cobrança feita pela prefeitura de Santos (SP) a diversos terminais portuários e da prefeitura de Guarulhos (SP) ao maior aeroporto do país.

    Segundo fontes, no ano passado, a nova administradora privada do aeroporto de Congonhas (SP) recebeu uma fatura de IPTU de R$ 300 mil um dia após ter assumido a operação do ativo.

    Enquanto os ativos são geridos pelo poder público — no caso de Congonhas era a estatal Infraero –, havia um reconhecimento mútuo de imunidade tributária entre a União e entes federados.

    De alguns anos para cá, prefeituras de todo o país enxergaram na cobrança a concessionárias privadas uma possibilidade de aumentar sua arrecadação.

    A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) já estimou em R$ 3,7 bilhões anuais a conta potencial de suas associadas caso o imposto passe a ser cobrado por todas as prefeituras de municípios com operações de ferrovias.

    Além de terminais e pátios de manobras, as concessionárias do setor têm milhares de quilômetros de trilhos cortando áreas urbanas e agora sujeitos à cobrança do imposto municipal por suas faixas de domínio (o espaço de utilidade pública, normalmente de 15 metros de largura, em cada lado da linha).

    A disputa no STF não precisa, necessariamente, ter vitória total de um ou de outro lado. Pode haver uma decisão pela legalidade da cobrança de IPTU, por exemplo, mas restrita a áreas não operacionais.

    Isso significa que, em vez de uma prefeitura cobrar imposto por todo o terreno de um aeroporto (incluindo pistas e terminal de passageiros), aplicaria a fatura apenas sobre a exploração de áreas comerciais (como estacionamento, hotéis, locadoras de veículos no sítio aeroportuário).