AIE diz que crise energética é pior do que choques do petróleo nos anos 70
“A solução mais importante para este problema é a abertura do comércio no Estreito de Ormuz”, declarou Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), nesta segunda (23)

Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), afirmou que a crise energética é "muito grave" e que a economia global está "enfrentando uma ameaça enorme".
De acordo com ele, a situação é pior do que as duas crises consecutivas do petróleo em 1973 e 1979, nas quais o mundo perdeu cerca de 10 milhões de barris de petróleo por dia, e do que o colapso do mercado de gás após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
"E não apenas petróleo e gás, mas também algumas das artérias vitais da economia global, como petroquímica, fertilizantes, enxofre e hélio, estão com o comércio interrompido, o que terá sérias consequências para a economia mundial", disse Birol no National Press Club da Austrália nesta segunda-feira (23).
Ele acrescentou que a Ásia está na linha de frente da crise devido à dependência do Estreito de Ormuz.
“A solução mais importante para este problema é a abertura do comércio no Estreito de Ormuz”, declarou.
O diretor-geral da AIE afirmou que estão em negociações com países como Canadá e México para aumentar a produção de petróleo e liberá-lo no mercado global.
“Temos estoques e estamos incentivando muitos países com refinarias a acelerarem o processo”, continuou Birol.
Os ataques com mísseis iranianos interromperam as exportações de gás natural liquefeito (GNL) do Catar e, embora a Austrália possa suprir essa lacuna, não conseguirá fazer isso sozinha, afirmou.
“A Austrália sozinha não será capaz de compensar toda a falta de GNL proveniente do Oriente Médio, mas haverá novas instalações de GNL entrando no mercado, vindas da Austrália e de outros países”, disse Birol.
Após a liberação histórica de 400 milhões de barris de petróleo pela AIE para aliviar a pressão sobre os mercados, Birol afirmou que a organização está consultando governos de todo o mundo e que mais petróleo poderá ser liberado, se necessário.
“A liberação de nossos estoques ajudará a acalmar os mercados, mas não é a solução. Apenas ajudará a reduzir o impacto e a economia”, sinalizou.
Pelo menos 44 ativos de energia na região foram gravemente ou muito gravemente danificados em nove países, apontou Birol. O racionamento e medidas semelhantes às da Covid-19 para conservar energia podem ser necessários por algum tempo, sendo os países mais pobres os mais afetados.



