Ala do TCU busca acordo para evitar derrota a relator no plenário
Outro grupo do tribunal de contas acredita que processo de inspeção do Banco Central pode ser arquivado

Uma ala do TCU (Tribunal de Contas da União) se articula para costurar um acordo que viabilize um meio-termo para o processo de inspeção do Banco Central e evite uma derrota integral ao ministro Jhonatan de Jesus no plenário do órgão.
A avaliação de ministros que atuam em busca de um consenso interno é a de que é preciso dar uma resposta para amenizar o desgaste gerado com a decisão de Jhonatan de Jesus sem expor o relator e, ao mesmo tempo, que reafirme as competências do tribunal de contas.
Um dos cenários apontados é a adoção de um caminho que contemple tanto a posição do ministro Jonathan de Jesus como o Banco Central. Uma das ideias estudadas é a de que o TCU solicite mais documentos oficiais, que preencham lacunas ainda abertas, o que tornaria a inspeção não mais necessária.
O tribunal está dividido com o episódio. Outro grupo de ministros defende que o plenário determine o arquivamento integral do processo de inspeção da autoridade monetária. Essa opção é vista internamente como mais complexa.
Colocar fim ao processo representaria uma derrota a Jhonatan de Jesus, cuja atuação foi defendida pelo ministro Vital do Rêgo Filho, presidente do TCU, e deixaria a corte de contas ainda mais exposta perante a opinião pública.
Jhonatan de Jesus admitiu que a repercussão gerada por sua decisão de inspecionar a autarquia o levou a recuar, suspender a ordem anterior e levar o caso para discussão no plenário.
A CNN Brasil mostrou nesta semana que o ministro avaliava rever sua decisão após ter sido convencido pelos colegas do tribunal de contas diante da repercussão do caso.
A decisão repercutiu negativamente dentro e fora do tribunal de contas. A ordem levou a um racha interno e ministros disseram, reservadamente, que ela constrangia o TCU.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou irritação com a ofensiva do TCU e alertou nos últimos dias ministros do governo sobre eventuais riscos de credibilidade e impacto institucional em razão da crise sobre o Banco Master.
Ministros do STF viram com estranheza a ofensiva de Jhonatan de Jesus contra o BC no âmbito da liquidação do Master. Uma ala do STF sustenta que não cabe ao tribunal de contas fiscalizar atividade finalística e deve apenas se ater a supostas irregularidades no emprego de recursos públicos.
Esses ministros acreditam que o STF tem de dar uma resposta, se provocado, e anular eventual decisão do TCU que reverta a liquidação do Master pelo BC. A avaliação é a de que, com isso, o STF resgataria a institucionalidade dos órgãos e garantiria a segurança jurídica e a saúde do sistema financeiro.


