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Alheios à política, especialistas veem nome técnico de Otto Lobo na CVM

Escolhido por Lula trabalhou em casos icônicos do mercado de capitais, como na Bolsa do Rio, Mesbla e Varig

Fernando Nakagawa, da CNN, em São Paulo
Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Comissão de Valores Mobiliários (CVM)  • Foto: Divulgação
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Advogados de grandes escritórios e executivos de empresas de capital aberto têm reagido com certa surpresa às críticas ao nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O argumento é que a escolha é um nome técnico e com grande experiência no mercado de capitais.

Logo que a indicação de Lobo para a CVM foi publicada no Diário Oficial da União, começaram a surgir duras críticas à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As reclamações citavam que seria uma escolha política – sob a influência do centrão – e que Lobo tomou decisões controversas em casos famosos, como Ambipar e Banco Master.

Entre advogados do mercado de capitais, porém, o tom é diferente.

Otto Lobo começou a carreira no início da década de 1990 e, por isso, é conhecido de muitos advogados das grandes bancas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Os que já trabalharam com ele avaliam que a escolha é um “nome natural” após a presidência interina da CVM. O advogado ficou no comando da CVM em boa parte de 2025 após a saída antecipada do antecessor João Pedro Nascimento.

Em quatro décadas de atuação no direito, Lobo trabalhou em casos icônicos, como no processo após a quebra da Bolsa de Valores do Rio, a falência da varejista Mesbla e o primeiro grande caso de recuperação judicial do Brasil, da companhia aérea Varig.

Aos colegas do direito, ele nega qualquer influência política em sua indicação. Diz que, quando chegou ao poder público – ainda no governo de Jair Bolsonaro, não conhecia ninguém no Senado e na Câmara.

Lobo, porém, é conhecido no Judiciário. A mãe do advogado foi desembargadora e a esposa segue na magistratura. Assim, conviveu com nomes conhecidos, como Luiz Fux e Luís Roberto Barroso – todos também fizeram carreira no Rio de Janeiro.

Nos últimos dias, decisões de Lobo passaram a ser escrutinadas. Aos mais próximos, o advogado repete a frase que os votos na CVM “são escritos e públicos”. “É só pegar e ler”.

Sobre os casos polêmicos, o advogado diz que é pautado pela “técnica” e que julgadores “não podem ter medo da repercussão”. A frase é acompanhada da lembrança de que, quando criança, viu a mãe – que atuou no direito criminal – sendo xingada nas ruas.

Entre as empresas de capital aberto, também há apoio público à indicação de Lobo.

A Abrasca (Associação Brasileiras das Empresas de Capital Aberto) elogiou a escolha de Lobo com destaque à formação técnica e longa experiência no mercado de capitais.

Antes de ser indicado para a CVM, Otto Lobo fez parte do CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional) – mais conhecido como “Conselhinho”. O órgão avalia, em segunda instância administrativa, punições do Banco Central, do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da própria CVM.

Lobo foi indicado ainda no governo Dilma Rousseff e ficou no cargo até o fim da gestão de Michel Temer, entre os anos de 2015 e 2019. No Conselhinho, julgou mais de uma dúzia de casos de informação privilegiada no mercado financeiro.

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