Após liquidações ligadas ao Master, CMN quer apertar regras do FGC

Banco Central está realizando uma consulta com instituições financeiras para colher sugestões de mudanças

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

Após aprovar mudanças no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em janeiro, o CMN (Conselho Monetário Nacional) quer apertar ainda mais as regras do fundo em meio às liquidações relacionadas ao Banco Master.

Segundo fontes ouvidas pelo CNN Money, a ideia é que as mudanças agradem o mercado financeiro. Para isso, o Banco Central está colhendo sugestões de instituições financeiras sobre o tema.

Em janeiro, o CMN aprovou mudanças no estatuto social e no regulamento do FGC. Entre as mudanças está “a ampliação de suporte à transferência de controle ou de ativos e passivos de associadas, mediante reconhecimento de situação conjuntural adversa pelo Banco Central”.

Depois da decisão do CMN, o estatuto do FGC passou a prever “a cobertura de despesas ou responsabilidades decorrentes de atos regulares de gestão praticados de boa-fé pela administração do Fundo”, alinhando-se ao Core Principle 5 – Legal Protection da IADI (International Association of Deposit Insurers).

O pacote aprovado pelo CMN também modernizou etapas operacionais do pagamento de garantias, com “regras mais claras para envio e correção de informações; aumento da transparência, via divulgação de informações sobre o saldo de instrumentos cobertos por cada instituição associada para o público; esclarecimento sobre limites e atualização de valores e estabelecimento de prazo máximo de três dias para o início dos pagamentos das garantias após o recebimento formal das informações enviadas pelos liquidantes”.

No início de fevereiro, o diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Gilneu Vivan, afirmou que a autarquia avaliava incluir a revisão de algumas regras do FGC na lista de entregas para este ano ou início de 2027.

"Devemos incluir na agenda deste ano a revisão de algumas regras do FGC, definição de regras para a distribuição de títulos e a discussão sobre transparência da remuneração dos intermediários. Devemos deixar isso organizado e público até meados de março", disse em um evento da ABBC (Associação Brasileira de Bancos).

Efeito Master no FGC

O aperto das regras do FGC em janeiro ocorreu após a liquidação do Banco Master, que resultou em um custo de R$ 40,6 bilhões ao fundo. Ao todo, oito instituições ligadas ao banco de Daniel Vorcaro já foram liquidadas, totalizando um montante de cerca de R$ 51,8 bilhões que terão que ser reembolsados pelo FGC aos credores.

Em seu depoimento à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que o plano de negócio do Master era integralmente baseado no FGC e defendeu a estratégia.

“O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso. Essa era a regra do jogo”, declarou.

O FGC é responsável por garantir depósitos e créditos de correntistas e investidores em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.

Diante desse cenário, o Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) encaminhou um ofício ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, solicitando a alteração do critério de gestão e utilização do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Na avaliação do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, a revisão é necessária uma vez que o critério atual vigente "parece ter permitido a ocorrência de fraudes ao sistema, comprometendo a confiança e a credibilidade".

Procurado pelo CNN Money, o Banco Central informou que não iria comentar.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais