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    Após novos dados de inflação de países do G20, Brasil mantém 14ª posição em ranking

    África do Sul, Canadá, Reino Unido e Zona do Euro divulgam seus índices de inflação e Brasil se destaca em lista

    Diego Mendesdo CNN Brasil Business São Paulo

    O Brasil ocupa a 14ª posição no ranking que mede as maiores inflações entre os países do G20. A lista, feita pela consultoria Austin Rating, traz Turquia em primeiro lugar, com 83,5% no acumulado de 12 meses, seguido pela Argentina (83%) e Rússia (13,7%).

    Nesta quarta-feira (19), quatro nações divulgaram seus índices de preços ao consumidor. África do Sul registrou uma inflação de 7,5% no acumulado de 12 meses, ficando em 12º lugar no ranking. O Reino Unido fechou o índice em 10,1% neste mesmo período, ocupando a 5ª posição e a Zona do Euro, que registrou inflação de 9,9%, está na 7ª posição.

    O Canadá, que também divulgou a inflação nesta quarta-feira, está em uma posição abaixo do Brasil (7,2%), com um índice fechado em 6,9% no acumulado de 12 meses.

    Para Alex Agostini, economista-chefe na Austin Rating, a posição do Brasil mostra que o país conseguiu reduzir muito a inflação recentemente, devido aos três meses consecutivos de deflação. “Os resultados positivos do país se dão principalmente pela redução nos preços de combustível e energia elétrica por conta da mudança na alíquota do ICMS”, aponta. Para ele, isso é um bom sinal, pois reduz a inércia inflacionária para 2023.

    Agostini diz que o fato de o Brasil estar na parte de baixo do ranking se dá também porque os países que estão acima estão passando por questões internas. “Turquia vem desde 2018 com dificuldades financeiras, a Argentina vem de três décadas com problemas econômicos e a Rússia por conta do conflito com a Ucrânia”, diz.

    O economista afirma ainda que em seguida dos três primeiros colocados estão os países da Europa que estão sofrendo com essa alta de preços de energia, gás natural, carvão, enfim, deixando a inflação nos maiores níveis. “É diferente do Brasil, que conseguiu de alguma forma um alívio nas contas. Mas, ainda assim, deve encerrar 2022 com uma inflação perto dos 5,5%, bem acima do teto da meta, o que não é saudável para economia”, destaca.

    Na visão do professor de economia da FIA Business Scholl, Carlos Honorato, a questão da guerra na Ucrânia ainda sem resolução, das incertezas em relação à energia e ao gás natural, o Brasil pode avançar nesse ranking nos próximos meses. “Mas o país está em uma boa situação, pois conseguiu evitar um acúmulo da inflação dos últimos três meses e segurou o aumento de preços, evitando um impacto ainda maior”, diz.

    O professor cita ainda que a situação no Brasil é diferente do que se vê nos países europeus, na China e nos Estados Unidos. “Vale deixar um alerta de que essa pressão inflacionária tende a voltar, pois essa oneração dos impostos vai retornar”, avalia Honorato.

    “O próximo governo deveria aproveitar dessa situação e avançar na aprovação de uma reforma tributária e conseguir um melhor reaproveitamento dessa situação”, conclui.