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    Appy defende fundo de desenvolvimento regional para combater guerra fiscal

    Secretário da reforma tributária afirmou que medida, presente nas duas PECs que tratam da reforma tributária, vai estimular o desenvolvimento de todas as regiões

    Appy esteve nesta quarta-feira (10) na Comissão de Minas e Energia da Câmara
    Appy esteve nesta quarta-feira (10) na Comissão de Minas e Energia da Câmara Marcos Oliveira/Agência Senado

    Samantha Kleinda CNN Brasília

    O secretário extraordinário de reforma tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, defendeu nesta quarta-feira (10) a existência de um fundo de desenvolvimento regional (FDR) para coibir a guerra fiscal entre os estados.

    Em audiência da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Appy trouxe detalhamentos da medida que pode ser aprovada com a reforma tributária.

    As duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam sobre a reforma tributária preveem a criação do fundo regional. O objetivo é substituir as atuais políticas de incentivo através da concessão de benefícios fiscais.

    “Todos os estados, dos mais pobres aos mais ricos, estão concedendo benefícios fiscais hoje no âmbito do ICMS, o que faz com que o benefício fiscal tenha perdido muito a sua funcionalidade. Nas últimas semanas recebi três empresas diferentes que investiram em estados diferentes e reclamam que estão sendo prejudicadas pela guerra fiscal generalizada”, disse.

    Na PEC 110, há um detalhamento a respeito da formação deste fundo, com a previsão de financiamento de até 5% da receita do Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS) ou Imposto sobre Valor Adicionado (IVA). A proposta define que esse montante poderá ser utilizado com fomento para atividades produtivas, investimentos em infraestrutura, para estimular inovação ou estimular a produção sustentável. Se aprovada a reforma tributária, o FDR será criado por lei complementar.

    “Cada estado vai definir a sua política de desenvolvimento regional de forma muito mais eficiente do que faz hoje. Porque atualmente se faz política de concessão de benefício fiscal e que é destinada somente à indústria ou centro de distribuição. Com isso você pode investir na infraestrutura, que é uma boa forma de desenvolvimento a longo prazo, ou no setor de serviços, se for a vocação local”, completa.

    A proposta prevê ainda distribuição desses recursos na ordem de 30% para os municípios, destinação de 10% para infraestrutura nos estados de origem; e demais valores para os estados. Até 2032, a aplicação prioritária do fundo deverá ser a manutenção da competitividade das empresas que atualmente recebem benefícios fiscais do ICMS.

    Ambas as PECs preservam a Zona Franca de Manaus e o regime Simples Nacional. Na segunda (8), Appy disse que o relatório do grupo de trabalho da Câmara deverá ser finalizado ainda em maio e a votação da proposta em plenário pode ocorrer em junho.

    A expectativa é que a discussão sobre a reforma seja encaminhada logo após o debate sobre do novo marco fiscal, previsto para a próxima semana. O secretário ainda destacou que não tem influência sobre o cronograma de tramitação da proposta.