Aumento nos combustíveis seria oportunismo, diz ex-presidente da Petrobras
À CNN, Jean Paul Prates afirmou que caso haja um possível novo patamar de preços, reajuste será inevitável, mas seguindo "comedimento"

O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou nesta quarta-feira (11) que possível um aumento dos combustíveis neste momento, diante do conflito no Oriente Médio, seria "oportunismo" por parte das distribuidoras e da estatal.
Segundo Prates, a situação oportunística ocorre quando alguns agentes da estatal acabam aproveitando o fato de existir uma guerra, para realizar o reajuste, sem haver uma razão que o justifique.
"A situação oportunística, que é quando alguns agentes ajusantes da Petrobras acabam aproveitando o fato notório de que existe uma guerra e de que os preços internacionais dispararam para aumentar os preços, sem ter razão para isso, porque nem aumentou a tributação e nem a Petrobras, que é a grande originadora nacional, aumentou o seu produto na porta da refinaria", afirmou.
Nesta quarta (11), as cotações do petróleo voltaram a ganhar força, com saltos de até 6%, após tombarem mais de 11% na véspera à medida que os ataques no Oriente Médio se intensificam.
Os preços da commodity se recuperam com os mercados duvidando que o plano anunciado pela Agência Internacional de Energia (AIE) de liberar reservas recordes de petróleo pudesse compensar os possíveis impactos no abastecimento decorrentes do conflito
Ao avaliar os desdobramentos que podem vir a ocorrer com um possível novo patamar de preços, o executivo afirmou que, com a alta, "não tem jeito de fugir" do reajute, pelo menos no que diz respeito ao diesel.
"Agora, os reajustes também dentro do comedimento e dentro da faixa de amortecimento que a Petrobras é capaz de colocar para o mercado nacional. Os importadores também se adaptam a isso, porque eles também não querem perder o mercado ocasionalmente. Uma vez que você perde, às vezes, um cliente, você pode perder ele para sempre", disse.
"Não é tão doloroso assim, é doloroso para todos pagar mais pelo preço do petróleo por causa de uma guerra, a meu ver, inconsequente, mas (...) é praticamente um pacto que tem que se fazer, onde toda a sociedade paga um pouco", finalizou.
Ainda durante a fala, ao avaliar a decisão da companhia de não repassar os preços para os consumidores diante da volatilidade do preço do barril, Prates considerou normal que a companhia absorva em algum momento esse impacto inicial, mas alertou para uma possível prolongação dos picos nos preços.
"Claro que ele não pode perdurar durante um conflito que se prolongue por 20, 30 dias com um pico de preço de mais de 20, 30, 40, 50%. Isso é uma realidade completamente diferente, mas absorver, em algum momento, algum impacto inicial desses picos de preço (...) que alguma intempérie natural provoca no mercado internacional, nós podemos fazer", disse.
Conflito no Oriente Médio
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.
O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo (29), a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.
Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".
Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista".
Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques vão continuar "ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!".


