Azul tenta barrar interrupção em fornecimento de combustível

A expectativa da Azul é que a petição para garantir o fornecimento de combustível seja analisada pela Justiça norte-americana ainda nesta segunda-feira (23)

Reuters
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A companhia aérea Azul fez no domingo (22) um pedido à Justiça dos Estados Unidos, onde corre sua recuperação judicial, para impedir a suspensão no fornecimento de combustível pela Raízen, segundo documento judicial.

A expectativa da Azul é que a petição para garantir o fornecimento de combustível seja analisada pela Justiça norte-americana ainda nesta segunda-feira (23).

Em correspondência de 18 de junho, a Raízen, uma das maiores distribuidoras de combustível de aviação do Brasil, informou à Azul que o agente fiduciário da 12ª emissão de debêntures da companhia aérea, Vórtx, comunicou que a empresa estava inadimplente no pagamento de amortização e remuneração do título desde 12 de junho.

"Assim, a Raízen...solicita manifestação da Azul com urgência sobre eventual saneamento do inadimplemento e em tempo hábil para evitar a suspensão do fornecimento, diante do prazo de três dias úteis que a Raízen possui para implementação do mecanismo de 'Stop Supply'", afirmou a distribuidora de combustível na correspondência anexada pela Azul e entregue à Justiça dos EUA.

A Azul afirmou no pedido à Justiça norte-americana que a ação da Vórtx é "ilegal" e que a interrupção no fornecimento de combustível, se realizada, "coloca em risco a capacidade da Azul de se reorganizar de maneira bem-sucedida sob a recuperação judicial".

"A ação do agente fiduciário representa uma violação dos termos da recuperação judicial", afirma a Azul.

Procurada, a companhia aérea afirmou que a petição feita à Justiça dos EUA é uma "medida processual padrão para salvaguardar o fornecimento contínuo de combustível pela Raízen", a quem classificou como "uma de suas principais parceiras de combustível".

"Essa petição busca proteger o contrato da Azul com a Raízen contra interferências de terceiros", afirmou a empresa em comunicado à imprensa.

A Vórtx afirmou que não se pronuncia fora os comunicados oficiais para o mercado. A Raízen disse que não vai se manifestar.

Segundo o texto da petição à Justiça dos EUA, a Azul afirma que a Raízen, uma joint-venture entre a Shell e o grupo Cosan, é responsável por cerca de 68% das necessidades de combustível da companhia aérea em rotas domésticas e a infraestrutura dela "se espalha por dezenas de aeroportos onde não há alternativas viáveis".

A companhia aérea afirma ainda no documento que mesmo uma breve interrupção no fornecimento causaria uma "cascata de eventos de voos cancelados, aeronaves em terra e prejuízo reputacional irreparável".

Às 11h39, as ações da Azul exibiam estabilidade, cotadas a R$ 0,98, enquanto o Ibovespa tinha recuo de 0,38%.

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