Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Banco Central corta juros mais uma vez, porém espera por reformas

    Copom decide diminuir taxa de juros em 0,5 ponto, para 3,75%, mas alerta que, na atual situação, mais cortes podem ser contraproducentes

    Do CNN Brasil Business, em São Paulo

     
    Plenário da Câmara dos Deputados
    Plenário da Câmara dos Deputados; Banco Central espera que agenda de reformas continue
    Foto: Adriano Machado – 7.ago.2019/Reuters

    O Banco Central (BC) anunciou o que era esperado. Na noite desta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar em 0,5 ponto a taxa básica de juros. A taxa de 3,75% representa a mínima histórica. Em meio à crise do coronavírus, o BC quer que o brasileiro não deixe mais o seu dinheiro parado – mas também aguarda que as reformas passem no Congresso. 

    Para o professor Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da Fundação Getulio Vargas, o governo quer tentar estimular o gasto dos brasileiros, mesmo em um período recessivo. A ideia é tentar diminuir o impacto do coronavírus na economia.

    Mas, diante do problema que se desenha para um futuro não tão próximo, a queda foi uma redução conservadora perto das estimativas de alguns analistas. Alguns arriscavam que a reunião do Copom terminasse com um corte ainda maior, de 0,75 a 1 ponto. Porém, o BC decidiu esperar mais movimentos do mercado antes de baixar ainda mais a taxa. A instituição também apontou que o ciclo de cortes pode ter se encerrado.

    Isso porque, após o ímpeto reformista do governo ficar em segundo plano com o mundo sendo engolfado pelo coronavírus, o BC voltou a cobrar por reformas macroeconômicas. Na atual situação, uma queda maior poderia trazer efeitos negativos.

    “Nessa situação, relaxamentos monetários adicionais podem tornar-se contraproducentes se resultarem em aperto nas condições financeiras”, afirmou o BC.

    Essa foi também a leitura de Marcos Ross, economista-sênior da corretora XP Investimentos. “O BC viu que depois da reforma da Previdência nenhuma reforma ganhou tração ainda e isso preocupa”, diz Ross, que também apontou a preocupação com as medidas de anunciadas nesta quarta-feira (18) pelo governo, como a flexibilização da meta do superávit primário.

    “Isso preocupa o Banco Central na medida em que se houver um excesso de estímulo, o país voltará para aquele cenário que, por mais que você corte a taxa de juros no curto prazo, a de longo prazo sobe. O prêmio de risco Brasil sobe.”

    Porém, economistas acreditam que, caso a crise persista, novos cortes podem ocorrer. O sócio da Portofino Investimentos Adriano Cantreva considerou que a porta para novas reduções não está fechada.
    “Se necessário eles (BC) vão fazer algo mais forte. Porém, caso o pacote de ajuda econômica nos Estados Unidos seja fechado, pode ser que o mercado acalme nas próximas semanas e o BC não seja forçado a reduzir mais a Selic”, disse.

    A autoridade monetária afirmou que o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador com a pandemia causada pelo coronavírus, que provocou desaceleração significativa do crescimento global, queda no preço das commodities e elevação da volatilidade nos mercados

    Por outro lado, o aumento da potência da política monetária, a deterioração do cenário externo ou frustrações em relação à continuidade das reformas são apontados como riscos para gerar uma trajetória da inflação acima do projetado para 2020 e 2021).

    Confira a análise completa do professor Joelson Sampaio, da FGV
     
     
    (com informações da Reuters)