BC prevê que inflação vá estourar teto da meta em 2026

Reposicionamento vem após guerra do Oriente Médio gerar pressões no mercado global de energia, tensionando preços pelo mundo, inclusive no Brasil

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
Compartilhar matéria

O BC (Banco Central) reajustou suas expectativas para a inflação, passando a avaliar que os preços vão subir 4,6% em 2026, estourando o teto da meta perseguida pela autoridade monetária.

Anteriormente, a autarquia estimava que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) seria de 3,9% neste ano.

O reposicionamento vem após a guerra do Oriente Médio gerar pressões no mercado global de energia, o que tensionou os preços pelo mundo, inclusive no Brasil.

A gasolina subiu 6,23% em abril, sendo o item de maior pressão no IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), a prévia da inflação apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O grupo Transportes foi destaque da divulgação, com alta de 1,34%, o segundo maior impacto no índice geral, impulsionado pelo aumento dos combustíveis, item que passou de -0,03% em março para 6,06% em abril.

"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", enfatizou o Copom no comunicado de sua decisão de juros desta quarta-feira (29).

O Copom também reajustou suas estimativas para o IPCA no horizonte relevante da política monetária - prazo futuro que o colegiado considera ao tomar suas decisões sobre a taxa Selic.

Antes avaliada em 3,3% para o terceiro trimestre de 2027, a inflação no horizonte relevante passou a ser estimada em 3,5% no quarto trimestre de 2027.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais