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    BNDES vai investir R$ 6,6 bilhões no setor marítimo brasileiro em 2024, diz Mercadante

    Presidente do banco disse que trabalhará para descontingenciar os recursos para formar oficiais na marinha mercante para atuar no país

    Diego Mendesda CNN São Paulo

    O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse nessa segunda-feira (29) que a instituição vai investir R$ 6,6 bilhões no setor marítimo do país em 2024.

    “Nós vamos sair de um cenário de R$ 491 milhões em 2022 para, em 2023, R$ 407 milhões, e nesse ano, R$ 6,6 bilhões”, mostrou.

    A declaração foi dada no seminário internacional “Transição energética no mar: desafios e oportunidades para o Brasil”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, liderado pela International Maritime Organization (IMO), agência da ONU responsável pela regulamentação do transporte marítimo.

    Mercadante detalhou que, em relação ao Fundo Marinha Mercante (FMM) no Brasil, o BNDES reponde por 75%. Segundo ele, em 2022, não houve investimento em estrutura e logística. Em 2023, foram R$ 223 milhões.

    “Esse ano, nós estamos seguros dos projetos que são elegíveis, que estamos concluindo análises, e vamos para R$ 5 bilhões. Estou falando aqui de transporte fluvial, barcaças graneleiras, balsas mineraleiras, empurradores fluviais, rebocadores portuários”, pontuou.

    De acordo com o presidente o BNDES, atualmente há uma demanda muito forte nesse ambiente e isso gera musculatura na construção naval gente poder avançar com mais segurança para projetos mais complexos.

    Na área de petróleo e gás — falando de embarcações de apoio off shore, navios tanques, módulos FPSO (unidades de processamento e produção de petróleo e gás) e projetos de descomissionamento com maior descarbonização — Mercadante destacou que o banco tem na carteira R$ 1,6 bilhão para investimento.

    “E aqui quero falar, sobretudo com os que entende pouco do setor, que isso aqui estamos falando e TLP (taxa de longo prazo), não tem subsídios nessa linha de crédito. O que tem são bons projetos que estamos analisando para alavancar esse setor e é o que estamos acreditando que podemos fortalecer de forma muito rápido”, esclareceu.

    Descarbonização

    A questão da transição energética e energia limpa também estiveram no foco do evento.

    Mercadante explicou que, primeiramente, irão fazer o edital de estudo e, depois, farão um desenho para discutir o incentivo a descarbonização da frota naval.

    “Então, todos os projetos que tiver em perspectiva reduzir 30% das emissões, vão ter um desconto, na construção, de 0,2% do nosso spread. Isso é nos recursos do BNDES para melhorar a competitividade. Além disso, 0,4% para modernização e conversão e 0,2% para manutenção, reparo e docagem”, revelou.

    Na visão de Mercadante, o banco está reduzindo o spread para fomentar, induzir e estimular mais projetos e mais investimentos nessa área marítima do Brasil.

    Além disso, o presidente do banco chamou a atenção dos empresários e mostrou uma linha de crédito de R$ 5 bilhões por ano para inovação tecnológica e digital — que é a TR, uma taxa de juros de 2% ao ano — elegível aos projetos de inovação na transição energética marítima.

    “É uma linha muito mais competitiva, mas nós somos rigorosos em tudo que desrespeito à inovação. Fizemos um convênio com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) de trabalhamos em parceria para ter complementariedade, e não concorrência”, disse.

    Ainda em seu discurso, Mercadante também assumiu um compromisso de que irá conversar com o governo, junto aos Ministério dos Portos e Aeroportos, para descontingenciar os recursos para formar oficiais na marinha mercante.

    “Esse é outro ponto que não pode continuar como está porque o Brasil. Esta faltando tripulantes no mundo e nós temos que formar técnicos e disputar. E eu sei que tem gente que olha muito mais para fora do que para nossa história. Mas, nos EUA — há mais de um século — só contratam navio produzido para cabotagem nos EUA, com tripulação americana, com aço americano, com engenharia americana. Eu nem quero tanto, mas nós vamos disputar que o Brasil também pode e vai fazer”, prometeu.

    O presidente cobrou para o IMO olhar com atenção para o Sul Global. Segundo Mercadante, o Brasil vai liderar essa agenda no continente e disputará no G20.

    “Nós queremos olhar para essa janela histórica de oportunidade e continuar esse diálogo, e o BNDES, seguramente, junto com a Marinha, vai cumprir sua tarefa”, concluiu Mercadante.