Brasil vive momento único na mineração, diz CEO da Vale à CNN
Em entrevista à CNN, Gustavo Pimenta afirmou que o Brasil pode assumir papel de protagonismo na nova dinâmica da economia global e destacou a estratégia de expansão da produção de cobre da companhia

O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou em entrevista à CNN que a mineração brasileira vive um momento “único” e o país pode assumir papel de protagonismo na nova economia global, marcada por tecnologias que dependem de minerais como matéria-prima.
As declarações foram dadas durante o PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), maior feira de mineração do mundo.
“É um momento único, acho que nunca teve um momento tão bacana para estarmos dentro da indústria da mineração. A gente tem um potencial minerário enorme no Brasil, em todos os minerais que são considerados críticos, e podemos ter um papel relevante, ofertando esses minerais que são essenciais para a inteligência artificial e para a transição energética”, afirmou o executivo.
“Podemos, como país, ter um papel de protagonismo, e a Vale tem um papel essencial nesta pauta”, acrescentou.
Entre os minerais críticos, o cobre é apontado pelo setor como um dos principais insumos para a eletrificação da economia.
O metal é amplamente utilizado em redes elétricas, motores, equipamentos eletrônicos e na produção de tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos e sistemas de geração renovável.
Seguindo essa estratégia, a Vale anunciou investimentos de US$ 3,5 bilhões até 2030 para expandir a produção de cobre na região de Carajás, no Pará. A companhia pretende dobrar a produção do metal até 2035.
Dados da IEA (Agência Internacional de Energia) indicam que a demanda global por cobre pode crescer cerca de 30% até 2040, impulsionada principalmente pela eletrificação e pela expansão das energias renováveis.
Segundo Pimenta, a companhia já reconhece o papel estratégico que pode desempenhar nesse cenário de crescimento da demanda.
“Existe hoje uma percepção e reconhecimento de que pode faltar cobre. A oferta de cobre tem que crescer muito. A Vale quer assumir o papel de poder ofertar esse cobre”, afirmou.
PDAC
Como noticiado pela CNN, o setor mineral brasileiro se organizou para participar em peso do PDAC. Maior feira anual do setor, o evento ocorre em um momento considerado oportuno para o Brasil, marcado pela alta da demanda por minerais críticos e pela reorganização das cadeias globais desses minérios.
Dono de grandes reservas desses insumos, o país busca aproveitar a janela para atrair capital estrangeiro.
A delegação brasileira é coordenada pela ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro) e reúne 33 mineradoras - com projetos que vão de minério de ferro a terras raras -, além de representantes do setor público.
O grupo reúne desde gigantes tradicionais - como a Vale - até companhias que ainda estão fora do radar de quem não acompanha o setor de perto, como a Meteoric Resources, dona de um projeto de terras raras em Minas Gerais considerado um dos mais promissores do mundo.
*O repórter viajou a convite da ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro)


