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Capital Insights: Fundos de pensão encerram 2025 com superávit de R$ 5 bi

Devanir Silva, diretor presidente da Abrapp, ainda destacou que previdência complementar fechada desembolsa uma folha mensal de R$ 10 bi, enquanto a previdência aberta paga R$ 5 bi

Cristina Canas
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O sistema de previdência complementar fechada, composto pelos chamados fundos de pensão, encerrou 2025 com um superávit de R$ 5 bilhões. Os dados foram revelados pelo diretor presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, em entrevista ao programa Capital Insights, uma parceria entre a Broadcast e o CNN Money, que vai ao ar hoje, às 19h. Esse resultado reverte a situação registrada em 2024, quando o sistema teve déficit de R$ 9 bilhões.

"Os resultados não podem ser encarados como lucro ou prejuízo. São determinados pela gestão dos recursos, influenciada, em grande parte, pela conjuntura do período", explica. Silva afirma que a eficiência na gestão dos recursos garante a continuidade e expansão dos benefícios oferecidos aos participantes e destaca que a previdência complementar fechada desembolsa uma folha mensal de R$ 10 bilhões, enquanto a previdência aberta paga R$ 5 bilhões anualmente. "O sistema fechado não objetiva lucro", completa.

A Abrapp reúne mais de 200 fundos de pensão, que possuem cerca de R$ 1,3 trilhão (cerca de 11% do PIB) sob gestão e abarcam aproximadamente 8 milhões de pessoas entre contribuintes ativos, beneficiários e dependentes. Silva afirma que a solidez do sistema é sustentada por uma supervisão rigorosa e um arcabouço de autorregulação que têm se mostrado eficazes na prevenção de escândalos, como o que envolveu o banco Master, onde a Abrapp não possuía investimentos.

Silva, que assumiu o comando da entidade no ano passado para um mandato que se estende até 2027, conta que sua ambição é ver os fundos de previdência privada fechados administrarem um volume de recursos equivalente a 100% do PIB. Para isso, o setor enfrenta desafios, como a inclusão dos trabalhadores informais.

Com esse objetivo, ele diz que a Abrapp trabalha para tornar viáveis e populares as micropensões, inspiradas por modelos internacionais como o da Índia. Segundo ele, as micropensões devem atender, por exemplo, profissionais de plataformas e do setor agropecuário. Outro objetivo é conseguir o interesse das gerações mais jovens por meio de plataformas digitais e ofertas de cashback.

Em relação aos desafios de 2026, com a esperada queda da taxa de juros básica, Silva prevê que haverá uma migração gradual para ativos de risco. Atualmente, diante da Selic de 15% ao ano, os fundos de pensão possuem cerca de 84% dos recursos aplicados em renda fixa, sendo o maior porcentual em títulos públicos.

A entrevista completa do programa Capital Insights também está disponível em seu terminal Broadcast+, na aba Broadcast TV.

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