China avalia limitar exportações de equipamentos de energia solar aos EUA

Restrição colocaria em risco investimentos das empresas americanas e atrasaria a corrida pela computação espacial, já que se estima que a China fabrique mais de 80% dos componentes de painéis solares do mundo

Nichola Groom e Norihiko Shirouzu, da Reuters, em Los Angeles/Pequim
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Autoridades chinesas iniciaram conversas com fornecedores de equipamentos para a fabricação de painéis solares em meio a planos de possivelmente limitar as exportações da ​tecnologia mais avançada para os Estados Unidos, disseram cinco pessoas com conhecimento ​do assunto.

Essa restrição colocaria em risco investimentos das empresas americanas e atrasaria a corrida pela computação espacial, já que se estima que a China fabrique mais de 80% dos componentes de painéis solares do mundo, além de abrigar os dez principais fornecedores de equipamentos para a fabricação de células solares.

Nenhuma regra foi finalizada e as negociações não avançaram ao ponto de buscar feedback formal de um setor que luta contra um grave excesso de capacidade após anos de expansão agressiva, disseram duas das fontes.

O Ministério do Comércio da China e seu conselho estadual, ou gabinete, não ⁠responderam imediatamente aos pedidos de comentários enviados por fax pela ​Reuters.

Medida poderia ameaçar planos das empresas dos EUA

Se adotada, essa medida poderia ameaçar os planos de empresas americanas, como a ​Tesla, de construir novas fábricas ou expandir as já existentes em um esforço para aumentar a produção local.

Ela também ampliaria os controles de ⁠exportação em outra área de tecnologia na qual a China é ⁠líder, com base na iniciativa de Pequim de controlar as exportações de terras raras há um ano em ​resposta ‌às tarifas dos EUA.

A medida ocorre em um momento em que a rivalidade entre a China e os Estados Unidos se estendeu à corrida ⁠para produzir computação baseada no espaço alimentada por painéis solares, um foco para o presidente-executivo da Tesla, Elon Musk.

Outras empresas de tecnologia dos EUA, como Google e Amazon, estão investindo em sistemas solares e de armazenamento de energia baseados em terra, mesmo contando com centros de dados orbitais semelhantes para satisfazer ‌a crescente ⁠demanda de energia da ‌IA.

Analistas que acompanham o setor de energia solar e executivos já vinham se preparando para controles de exportação, em parte porque cresce a preocupação com os esforços de Musk e de outros para ampliar a produção de painéis solares nos Estados Unidos, reduzindo a dependência em relação à China.

Recessão pode fazer setor perder para empresas americanas

Musk busca explorar a desaceleração da energia solar na ⁠China para adquirir equipamentos e talentos, disse Xu Xiaohua, presidente da Anhui Huasun Energy, à revista de negócios Caijing este ano.

Ele pediu mais esforços das empresas chinesas para manter ‌sua liderança em tecnologia.

A Huasun não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por email.

A perspectiva de freio da China ocorre em meio aos preparativos para uma cúpula dos líderes Xi Jinping e Donald Trump na capital chinesa no próximo mês, que ambos os lados veem como uma oportunidade de preservar laços mais estáveis em questões comerciais.

A Reuters informou no mês passado que a Tesla buscava comprar US$ 2,9 bilhões ‌em equipamentos para a fabricação de painéis solares de fornecedores chineses, como a Suzhou Maxwell Technologies, que estava atrás de aprovação de exportação do Ministério do Comércio.

Musk disse que a energia solar poderia suprir todas as necessidades de energia elétrica dos Estados Unidos e a ⁠Tesla estabeleceu a meta de produzir 100 gigawatts de energia solar em solo norte-americano antes de 2028.

Aspectos ainda não forma revelados

A Reuters não conseguiu determinar quão amplas seriam eventuais restrições em relação a outros mercados de exportação, quando qualquer exigência de licenciamento poderia entrar em vigor nem quais produtos seriam ​abrangidos.

Em 2025, a China ameaçou impor requisitos de licenças para exportações de uma tecnologia relacionada, as baterias e materiais de ponta para os sistemas de ​armazenamento de energia exigidos por projetos solares de larga escala, mas adiou a implementação até novembro deste ano.

Outros produtores chineses de energia solar continuaram a negociar e enviar equipamentos de fabricação de energia solar para os Estados Unidos, incluindo outras empresas que concorrem ao pedido da Tesla, disseram duas pessoas.

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