China proíbe exportação de certas terras raras para o Japão; entenda
China proibiu a exportação de alguns elementos de terras raras e outros itens para o Japão que poderiam ser usados para fins militares depois de declarações da primeira-ministra japonesa sobre Taiwan

A China proibiu a exportação de alguns elementos de terras raras e outros itens para o Japão que poderiam ser usados para fins militares, tensionando ainda mais as relações já delicadas entre os dois países após as recentes declarações da primeira-ministra japonesa sobre Taiwan.
As amplas restrições aos chamados itens de dupla utilização – bens, serviços e tecnologias que têm aplicações tanto civis quanto militares – entraram em vigor imediatamente, de acordo com informações do Ministério do Comércio da China em um comunicado nesta terça-feira (6).
Embora o ministério não tenha especificado quais exportações foram afetadas, um catálogo de itens de utilização dupla publicado pelo Ministério inclui terras raras, eletrônicos avançados, componentes aeroespaciais e de aviação, drones e tecnologia relacionada à energia nuclear, entre outros itens.
Os elementos de terras raras são essenciais para uma ampla gama de produtos, desde eletrônicos e veículos do dia a dia até sistemas de armas avançados, como os caças F-35. Ainda não está claro qual será o alcance do impacto das novas restrições para o Japão.
As relações entre as duas potências asiáticas deterioraram-se rapidamente desde que a líder japonesa, Sanae Takaichi, afirmou no parlamento, em novembro, que uma invasão chinesa de Taiwan constituiria "uma situação que ameaça a sobrevivência do Japão", podendo desencadear uma resposta militar de Tóquio.
O Partido Comunista Chinês, no poder, reivindica Taiwan como seu território, e prometeu anexar a ilha, pela força, se necessário.
Desde as declarações de Takaichi, Pequim implementou uma série de medidas econômicas com o objetivo de pressionar o Japão a retratar-se, incluindo o corte de voos para o país, o alerta aos cidadãos para que não viajem ou estudem no Japão e a suspensão das importações de frutos do mar japoneses.
Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou que as novas restrições foram impostas em resposta aos comentários "errôneos" de Takaichi e para "salvaguardar a segurança e os interesses nacionais".
"Esses comentários constituem uma grosseira interferência nos assuntos internos da China, violam gravemente o princípio de "Uma Só China" e são extremamente prejudiciais em sua natureza e impacto", disse o porta-voz em um comunicado nesta terça (6).
No comunicado, o Ministério acrescentou que qualquer organização ou indivíduo de qualquer país que violar as restrições à exportação será responsabilizado legalmente.
A CNN entrou em contato com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão para obter um comentário.
Aproveitando-se de seu domínio global na cadeia de suprimentos de terras raras, a China impôs controles sobre essas exportações como uma poderosa arma na guerra comercial desencadeada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado. A medida causou estragos em indústrias ao redor do mundo, incluindo o setor automotivo – um pilar crucial da economia japonesa.
Esta não é a primeira vez que Pequim usa as exportações de terras raras como arma contra o Japão. Em 2010, a China também restringiu após uma disputa diplomática desencadeada pela prisão, pelo Japão, de um capitão de barco de pesca chinês perto das disputadas Ilhas Senkaku, conhecidas na China como Diaoyu.
No final de dezembro, o governo japonês aprovou um pacote de gastos recorde para o ano fiscal que começa em abril, incluindo um aumento de 3,8% no orçamento militar anual para 9 trilhões de ienes (US$ 58 bilhões).
Em um comentário feito em dezembro, a agência de notícias estatal chinesa Xinhua disse que foi "alarmante" nos últimos anos o fato de o Japão ter reajustado "drasticamente" a política de segurança, aumentado os gastos com defesa ano após ano.
O orçamento anual de defesa da China mais do que dobrou na última década. O Japão reafirmou o compromisso não nuclear em meados de dezembro.
*Joyce Jiang, da CNN, contribuiu com esta reportagem
**Com informações da Reuters



