Conab aponta redução nos preços de hortaliças, com destaque para batata e tomate

Entre as hortaliças pesquisadas, apenas a alface registrou aumento de preço em todas as 10 centrais de abastecimento (Ceasas) pesquisadas

Iuri Corsini, da CNN, Rio de Janeiro
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O Brasil registrou redução nas cotações praticadas no atacado, em junho, para produtos como batata, cebola, cenoura e tomate entre maio e junho deste ano. O país mantém a tendência no comportamento de queda dos preços das principais hortaliças consumidas nacionalmente.

Os dados são do Boletim Hortifrutigranjeiro, levantamento feito pala Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base nos preços apurados em 10 Ceasas (Centrais de Abastecimento), e divulgado nesta terça-feira (19).

Em relação à batata, a queda no preço foi apontada pelo segundo mês seguido, após períodos de alta no começo do ano. A Conab explica que essa redução ocorre devido às boas condições de produção da safra em época de seca e ao clima favorável para a colheita do tubérculo, que propiciaram bons níveis de oferta.

Na Ceasa do Distrito Federal, foi observado queda de 56,19%, a maior do país. Na média geral, a queda do preço foi de 18,7% na comparação entre junho e maio deste ano.

Já a queda do preço do tomate é explicada pela safra de inverno que vai ganhando força em todas as regiões produtoras. Mas o recuo no valor do legume não foi observado em todas as Ceasas.

A centrais de Recife e Fortaleza tiveram alta de 29,93% e 1,74%, respectivamente. No entanto, na média geral das 10 centrais pesquisadas, a queda no preço entre maio e junho foi de 11,8%.

Em relação à alface, a Conab apontou que houve oscilação entre altas e quedas nos valores praticados. Segundo o órgão, as chuvas no Nordeste afetaram a produção e acarretaram alta de 131% nos preços do produto em Recife, a maior alta do país.

"A oferta diminuiu na maioria dos mercados. A demanda encontra-se reduzida pelas baixas temperaturas e pelos preços estarem bem superiores aos do ano passado", explicou a Conab. A alface subiu em seis das 10 centrais pesquisadas.

A cebola teve queda de preço em todos os mercados analisados, e a cenoura manteve a continuidade do movimento descendente de preços iniciada em abril, também com queda em todas as centrais de abastecimento. A queda geral média do preço da cebola em junho foi de 22,64% e a da cenoura de 20,64%.

Para Sergio de Zen, diretor-executivo de Política Agrícola da Conab, o fluxo de ofertas da Ceasa aparentemente retomou o nível pré-pandemia.

“O que percebemos nos preços e nas quantidades ofertadas nos hortifrutis, é que há uma consolidação do que vínhamos sentindo, de que os preços bateram um certo limite. Chegaram em um determinado patamar e não há mais condições de sustentação e crescimento. Agora é um movimento de estabilização e retorno dos preços. Mas isso é uma conjuntura de médio prazo, uma vez esse tipo de produção é muito sensível ao clima”, explicou.

Ainda de acordo com o diretor, essa queda de preços pode ter algum impacto nos custos da cesta básica e na inflação de alimentos, apesar de ser em menor escala do que os alimentos que impactam no custo de outros produtos, como o leite e o ovo.

Frutas

A Conab também levantou que o preço das frutas apresentou comportamentos diferentes. Enquanto o preço da laranja teve tendência de baixa nos preços, a banana e a melancia tiveram tendência de alta.

Nenhuma das frutas utilizadas no levantamento (banana, laranja, maçã, mamão e melancia) tiveram queda ou alta nos preços em todas as centrais pesquisadas. Houve comportamentos distintos de região para região, variando de produto para produto.

Sem contar com a laranja, todas as outras frutas nas centrais de abastecimento tiveram mais aumentos dos preços do que redução no valor vendido aos consumidores. O destaque para cima foi o mamão, que teve alta média de 20,5%. As únicas quedas deste produto foram em Brasília (17,72%) e Fortaleza (-11,21%).

Exportação de frutas

O volume de exportações no primeiro semestre desse ano foi de 437,2 mil toneladas, 12,95% menor em relação ao mesmo período do ano passado, com valor apontado de US$ 395,7 milhões, 16,2% menor na mesma comparação.

Os destaques apontados pela Conab foram para os "aumentos consideráveis nas exportações de melões, limões/limas e melancias". Em contrapartida, as mangas e maçãs tiveram queda acentuada na quantidade exportada.

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