CNN Brasil Money

Congressistas: linearidade é "senha" para corte de renúncia fiscal avançar

Redução de 10% nos incentivos tributários a empresas pouparia em torno de R$ 19,6 bilhões em 2026, segundo cálculo da XP

Danilo Moliterno, da CNN, em São Paulo
Compartilhar matéria

Parlamentares consultados pela CNN avaliam que uma proposta de corte linear em benefícios fiscais será bem recebida pelo Congresso Nacional. O governo federal deve enviar ao Legislativo um projeto de lei complementar (PLP) para viabilizar uma redução de 10% nas renúncias.

O senador Efraim Filho (União-PB), que foi relator do projeto que prorrogou a desoneração da folha de pagamentos — renúncia tributária que gerou cisão entre os Poderes —, disse à CNN que o projeto deve ganhar tração no Congresso desde que o corte seja “linear e gradual”.

A ideia do corte linear é não penalizar setores específicos, enquanto a gradualidade daria tempo para as empresas se adaptarem às mudanças.

“O segredo é este modelo. Assim, se evita que sejam selecionados ‘campeões’, se evita que alguns sejam prejudicados e outros não”, comentou o parlamentar.

Efraim destacou que já foi estabelecido um cronograma para o corte gradual da renúncia com a desoneração da folha.

À CNN, o presidente da Comissão de Tributação e Finanças da Câmara dos Deputados, Rogério Correia (PT-MG) defendeu a linearidade, mas ponderou que as contas públicas seriam beneficiadas se o corte de 10% ocorresse “de uma só vez”.

O petista ainda argumenta que o corte de 10% deve ser o primeiro passo da redução de renúncias, que deveria estar acompanhada posteriormente da proibição da renovação de parte dos incentivos. Uma regra constitucional pede a redução dos benefícios para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030.

Ministros do governo federal e os presidentes das Casas Legislativas vem sendo uníssonos em defender o corte dos benefícios tributários. Em entrevista à CNN, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, um dos representantes da oposição, também acenou à medida.

O governo federal deve propor um corte somente em benefícios não previstos na Constituição. Assim, não seriam alcançados incentivos ao Simples Nacional, à Zona Franca de Manaus e às cadeias que envolvem itens da cesta básica, por exemplo.

Segundo cálculo de Tiago Sbardelotto, economista da XP, os benefícios fiscais às empresas atingirão patamar de R$ 196 bilhões no ano que vem. Caso o corte das renúncias seja aprovado no Legislativo e se concretize, seriam poupados em torno de R$ 19,6 bilhões em 2026.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais