Copom vê juros elevados por período "bastante prolongado", diz ata
Colegiado destacou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, a política monetária precisa ser mais contracionista e por mais tempo do que em ciclos anteriores
A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), publicada nesta terça-feira (16), reforçou que o Banco Central avalia ser necessário manter a taxa básica de juros em nível restritivo por um período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta.
O colegiado destacou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, a política monetária precisa ser mais contracionista e por mais tempo do que em ciclos anteriores.
Segundo o documento, o Comitê concluiu que “a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Na semana passada, o IBGE informou que a inflação acumulada em 12 meses está em 4,4%, abaixo do teto da meta — centro de 3% com margem de 1,5 ponto percentual.
Apesar disso, a ata afirma que “as expectativas de inflação permanecem acima da meta em todos os horizontes”, o que exige cautela adicional na condução da política monetária.
O Copom também deixou explícito que poderá voltar a elevar os juros, ao afirmar que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
O documento ressalta, no entanto, que o processo de desinflação ainda enfrenta desafios, especialmente diante da resiliência da inflação de serviços, influenciada por um mercado de trabalho que segue apertado.
“Mantém-se a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado”, diz o texto.
Segundo o documento, “a inflação de serviços apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico”.
Para o Copom, embora haja sinais iniciais de desaceleração, a atividade e o emprego continuam em níveis elevados.
A ata afirma que “o mercado de trabalho está em patamar bastante apertado, que há sinais incipientes de desaquecimento”, o que demanda cautela adicional na condução da política monetária.


