CPI: Inflação dos EUA sobe 0,3% em dezembro e fecha 2025 acima da meta
Ritmo anual da inflação permaneceu inalterado em relação a novembro

Os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram 2,7% em dezembro, em comparação com o mesmo período do ano anterior, encerrando um ano que apresentou um ligeiro progresso no controle da inflação, mas com preocupações persistentes sobre a acessibilidade financeira para muitos americanos.
O mais recente Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), que mede a variação média dos preços de alguns bens e serviços comumente adquiridos, mostrou que o ritmo anual da inflação permaneceu inalterado em relação a novembro, de acordo com dados do Departamento do Trabalho do país divulgados nesta terça-feira (13).
No entanto, o ritmo mensal da inflação acelerou para 0,3% em relação a novembro, quando os preços subiram a uma taxa média estimada de 0,1%.
Para dezembro, os economistas previam que o CPI mensal subiria 0,3% em relação a novembro e recuaria ligeiramente para 2,6% em termos anuais, segundo estimativas da FactSet. As expectativas eram semelhantes para a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia: os economistas previam que o CPI subjacente subiria 0,3% e a taxa anual atingiria 2,7%.
O relatório desta terça (13) mostrou que o CPI subjacente subiu 0,2% em relação a novembro, elevando a taxa anual para 2,7% em dezembro em comparação com o ano anterior.
No final de 2025, a inflação continuava apresentando um ritmo acima do normal. No entanto, o CPI para o ano mostrou que houve algum progresso: as taxas de inflação geral e subjacente de 2,7% foram menores do que as taxas de janeiro, de 3% e 3,3%, respectivamente, conforme dados do Departamento do Trabalho americano.
Esperava-se que as tarifas aumentassem os preços e pressionassem a inflação geral para cima; no entanto, não se previa que elas causassem aumentos de preços tão expressivos quanto os de 2022. A ideia era que os aumentos de preços fossem mais pontuais.
Contudo, como a política foi implementada de forma gradual e intermitente, os impactos foram retardados e desiguais. Muitas categorias de produtos apresentaram aumentos acentuados nos preços ao longo do ano passado – alguns dos maiores foram em café, móveis, eletrodomésticos, brinquedos, cortinas e utensílios de mesa – enquanto outros foram amplamente absorvidos por fabricantes, varejistas e importadores.
Distorções nos dados
O relatório de dezembro forneceu o panorama mais claro da trajetória da inflação em três meses, mas algumas distorções nos dados continuam persistindo.
O relatório de novembro foi atípico em muitos aspectos, pois a coleta de dados para o mês e para outubro foi afetada negativamente pela paralisação do governo que durou de 1º de outubro a 12 de novembro. Como resultado, a maioria dos preços não pôde ser coletada em outubro, um número maior de estimativas foi feito e a coleta de dados iniciada mais tarde em novembro provavelmente fez com que os descontos de fim de ano tivessem maior influência.
Consequentemente, o relatório anterior do CPI apresentou um panorama mais moderado da inflação.
A maioria dessas peculiaridades foi corrigida em dezembro, mas não todas. Por exemplo, as variações mensais de preços para alguns subíndices foram mais drásticas do que as tendências recentes.
No entanto, o problema mais significativo relacionado aos dados da paralisação não deve ser resolvido até abril: a inflação relacionada à habitação (capturada no índice de moradia), que tem o maior peso na "cesta" de bens e serviços que sustentam o CPI, apresentou uma recuperação esperada em dezembro.
Devido à falta de dados, o Departamento do Trabalho americano utilizou os custos de moradia relatados anteriormente, resultando na suposição de que a inflação dos aluguéis foi zero em outubro.
No entanto, o ritmo de crescimento ainda está mais lento do que deveria, o que, segundo economistas, está puxando para baixo a taxa de inflação geral. As taxas anual e básica estão cerca de 0,1% abaixo do ideal, observou Dean Baker, economista sênior do Centro de Pesquisa Econômica e Política.
O que pode acontecer em 2026?
Não espera-se que os dados desta terça (13) alterem significativamente a decisão do Federal Reserve, que tomará mais uma decisão sobre a taxa de juros no final do mês.
“Este relatório não sinaliza uma reaceleração da inflação, mas também não fornece ao Federal Reserve uma justificativa forte para um afrouxamento monetário rápido”, escreveu Sung Won Sohn, economista-chefe da SS Economics e professor de finanças e economia da Universidade Loyola Marymount, em uma nota.
O Fed tem sido alvo de ataques sem precedentes da Casa Branca durante o segundo mandato do presidente Donald Trump por não reduzir as taxas de juros de forma mais drástica, citando os riscos de alta da inflação decorrentes de políticas domésticas, como tarifas, e preocupações geopolíticas mais amplas.



