Diálogo entre Fazenda e Banco Central é constante, diz fonte

Relação é de parceria e BC recebe máximo de informações para evitar surpresas

Thais Herédia, da CNN
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Depois das críticas de Fernando Haddad ao patamar dos juros na última semana, interlocutores do ministro da Fazenda disseram à coluna que a relação com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, é de “parceria e diálogo constante”.

Segundo relatos feitos à CNN, a equipe econômica tem enviado o “máximo de informação possível” para que a autoridade monetária não seja pega de surpresa com novas medidas que impactem a economia.

O objetivo continua sendo de convergência entre a política fiscal, sob gestão da Fazenda, e a monetária, de responsabilidade do BC. Um tipo de “foward guidance” para ajudar o Copom a tomar suas decisões.

Esta é uma ferramenta conhecida e muito utilizada pelos bancos centrais para ancorar expectativas do mercado. Em sua comunicação oficial, os diretores do BC vêm alertando que a insegurança sobre o novo arcabouço fiscal e o uso dos bancos públicos geram incertezas e podem impactar inflação.

Recentemente, Fernando Haddad chamou a taxa básica da economia de “uma anomalia fora de propósito”. Na última semana, durante anúncio das novas medidas fiscais, o ministro fez um trocadilho com a carta enviada pelo BC para justificar o descumprimento da meta de inflação em 2022. “Eles mandaram a carta pra falar da meta, essa aqui [o plano fiscal] é a nossa carta para eles”.

Gestores e economistas ouvidos pela coluna demonstram desconforto com as provocações de Haddad. Primeiro porque o BC é independente e, ao criticar o patamar dos juros, o ministro da Fazenda cria uma situação de constrangimento antecipada caso a autoridade monetária precise subir ainda mais a Selic para controlar a inflação.

A segunda preocupação é pragmática, já que o governo terá que substituir um dos principais diretores do BC em fim de mandato. O mandato de Bruno Serra, diretor de Política Monetária, termina em 28 de fevereiro e não será renovado. Fontes disseram à CNN que este assunto ainda será tratado no tempo devido entre o governo e Roberto Campos Neto. Para o mercado, a escolha terá papel importante na sinalização sobre a conduta da economia nos próximos quatro anos.

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