Diretor do BC diz que juro deve ficar restritivo por tempo prolongado

Nilton David disse que choques provocados pela alta do petróleo acabam contaminando as expectativas

Lucinda Pinto, da CNN Brasil, em São Paulo
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O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quinta-feira (28) que a autoridade monetária pretende manter os juros em nível contracionista por um período prolongado diante da desancoragem das expectativas de inflação.

“Nosso objetivo não é levar a taxa para o neutro. O que incomoda bastante o Banco Central é expectativa desancorada e por isso precisamos da política monetária mais apertada por um tempo mais prolongado”, disse David, durante evento promovido pelo Banco Pine.

“Ao final do processo de calibração, a intenção é seguir em taxa contracionista por tempo prolongado para ter convicção de que vamos migrar para a meta. O Banco Central vai buscar a meta, porque tem obrigação legal.”

O diretor destacou que, em teoria, a política monetária não deveria reagir diretamente a choques temporários de oferta, como os provocados pela alta do petróleo e das commodities.

Mas ponderou que esses choques acabam contaminando as expectativas para os anos seguintes.

“As expectativas de curto prazo refletem alteração de preços. O manual diz que não deveria reagir a isso. Só que isso reverbera para os anos seguintes”, afirmou.

A projeção da Focus para o IPCA de 2027 está em 4,01% e, para 2028, em 3,64%.  Nilton David, 2027 continua sendo o horizonte relevante para a atuação do Banco Central, o que exige atenção da autoridade monetária neste momento. Já as expectativas para 2028, são contaminadas por inércia.

“Para 2028, essa perturbação deveria ter passado”, observa .

Nilton afirmou que, apesar de todos os estímulos recentes à economia — incluindo a expansão fiscal na pandemia, o pagamento de precatórios, os incentivos ao crédito e avanços como o open finance —, a política monetária estava conseguindo  conduzir a inflação em direção à meta.

Mas então o cenário mudou com a guerra no Oriente Médio e os novos choques sobre preços.

O diretor do BC afirmou que esse  comportamento recente da economia é uma demonstração de que a política monetária “funciona” -  e que hoje tem um efeito mais potente.

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