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    Diretor do PNUD diz que legitimidade do G20 depende do tratamento aos mais pobres

    Impacto sobre essa fatia da sociedade soma-se ao controle da inflação na legitimidade das potências

    Os ministros das Finanças dos países do G20 estão se reunindo em São Paulo nesta semana
    Os ministros das Finanças dos países do G20 estão se reunindo em São Paulo nesta semana 21/02/2024 - REUTERS/Pilar Olivares

    Reuters

    A legitimidade das potências econômicas do G20 depende do seu impacto sobre as pessoas mais pobres do mundo, e não apenas do controle da inflação, disse o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, nesta terça-feira (27).

    Os ministros das Finanças dos países do G20 estão se reunindo em São Paulo nesta semana, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocando o combate à desigualdade, à pobreza e às mudanças climáticas no topo da agenda do grupo durante a presidência brasileira neste ano.

    “A legitimidade do G20 em enviar sinais absolutamente consequentes para a economia e o sistema financeiro globais também precisa ser medida por seu impacto e consequências às pessoas mais pobres do mundo”, afirmou Steiner em entrevista antes da reunião.

    “Suas decisões têm consequências imediatas sobre as capacidades dos governos de desempenharem o papel do governo, que é estabilizar impactos sociais para enfrentar a pobreza, desigualdade, fome e também mobilizar os investimentos necessários para as grandes transições da nossa época: mudanças climáticas”.

    Um sentimento de injustiça entre cidadãos criado por políticas do governo pode, por si só, criar instabilidade financeira, como ficou evidenciado pelas manifestações dos coletes amarelos da França contra aumentos dos impostos sobre combustíveis ou nos protestos do Chile entre 2019 e 2022 pelas tarifas de ônibus e metrô.

    Embora o rascunho de um comunicado do G20 nesta terça-feira diga que a economia global provavelmente se dirige a um “pouso suave”, Steiner alertou que várias nações em desenvolvimento encaram um “pouso forçado” e um possível desastre financeiro.

    Muitos desses países gastam mais a serviço da dívida do que em educação ou saúde. Também sobram poucos recursos para enfrentar as mudanças climáticas e a transição dos combustíveis fósseis, disse.

    Mercados financeiros precisam mudar a maneira como veem seu papel no mundo porque estão cobrando taxas de juros punitivamente altas de países pobres, contribuindo para o problema, afirmou Steiner. O mundo precisa incentivar os mercados a investirem em soluções em vez de em retornos puramente financeiros, disse.

    O presidente Lula está pressionando para dar mais voz a nações em desenvolvimento do Sul Global nas reuniões do G20 durante a presidência do Brasil.

    Steiner elogiou a abordagem do Brasil no enfrentamento à pobreza, mudanças climáticas e em reformas multilaterais e disse que espera que o comunicado final ainda nesta semana reflita essas prioridades.