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    Diretora do FMI elogia atuação de BC brasileiro e chama reforma tributária de “histórica”

    Kristalina Georgieva falou sobre esforços para reduzir dívidas e déficits fiscais a partir de planos orçamentais críveis a médio prazo

    Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva
    Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva 17/01/2024REUTERS/Denis Balibouse

    Pedro Zanattada CNN

    São Paulo

    A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, elogiou a condução da política monetária do Brasil pelo Banco Central (BC). Georgieva destacou a atuação da instituição ao se antecipar e elevar a taxa Selic durante a pandemia.

    “A resposta precoce e resoluta do Brasil ao aumento da inflação durante a pandemia é um bom exemplo de como a formulação ágil de políticas pode compensar. O Banco Central do Brasil foi um dos primeiros bancos centrais a aumentar a sua taxa de juros e depois a afrouxar a política à medida que a inflação voltava a atingir o seu intervalo-alvo”, escreveu a diretora-gerente em um texto para o blog do FMI.

    O Banco Central iniciou o ciclo de aperto monetário em 2021, quando a taxa básica estava em 2% ao ano. A partir daí, os juros subiram consecutivamente até alcançar, em agosto de 2022, o patamar de 13,75% ao ano.

    Já o ciclo de cortes foi iniciado em agosto do ano passado e, atualmente, a taxa está a 11,25% ao ano. Para este ano, a expectativa do mercado financeiro é de que a Selic encerre o período a 9,0%.

    Além da política monetária, Georgieva também citou a reforma tributária, medida que elogiou em caracterizou como “histórica”.

    “É também vital que os países continuem a fazer progressos importantes no aumento das receitas e na eliminação de ineficiências. O Brasil demonstrou liderança nesta área com a sua histórica reforma do Imposto Sobre Valor Agregado (IVA)”, escreveu.

    O texto da reforma foi aprovado em dezembro do ano passado pela Câmara dos Deputados com o principal objetivo de simplificar o sistema tributário brasileiro. Para isso, o texto estabelece que todos os produtos e serviços vendidos no país terão um imposto federal unificado por meio de um “IVA dual”.

    O novo imposto une IPI, PIS e Cofins em uma tributação federal e outra estadual e municipal, que unificaria ICMS e ISS.

    Ao comentar sobre as contas públicas, a diretora do fundo entende que, esforços para reduzir as dívidas e os déficits, “devem basear-se em planos orçamentais críveis a médio prazo”.

    Georgieva avalia que planos do tipo devem incluir medidas para minimizar o impacto nas famílias pobres e vulneráveis, ao mesmo tempo que garante os investimentos prioritários.

    Encontro do G20

    Georgieva é uma das autoridades que participará da reunião do G20 em São Paulo esta semana. Hoje teve início o Fórum Brasileiro de Finanças Climáticas, evento oficial do G20 Social e que antecede a reunião de representantes do grupo das 20 maiores economias.

    A diretora fez um apelo, dizendo que o G20 tem uma oportunidade importante de mudar o foco do combate a choques sucessivos para uma agenda de médio prazo que apoie o crescimento.

    Com a expectativa de que o crescimento global chegue a 3,1% em 2024, a queda da inflação e a resiliência dos mercados de trabalho, a avaliação dela é que as autoridades podem se concentrar na reconstrução de amortecedores fiscais contra choques futuros.