Dólar cai 1,7%, a R$ 5,74, mas encerra semana com alta acumulada de 4,7%

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
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O otimismo do mercado internacional após sinalização de acordo comercial entre China e Estados Unidos faz com que o dólar desse uma trégua ante o real nesta sexta-feira (8), após cinco dias de alta.

O dólar comercial encerrou o dia com queda de 1,71%, cotada a R$ 5,74 na venda. Um dia antes, a moeda norte-americana fechou em forte alta de 2,39%, a R$ 5,84, o que deixou confortavelmente para trás o recorde anterior, da véspera, de R$ 5,704.

Na semana, a alta acumulada foi de 4,7%.O dólar se apreciou bem mais de 1% em cada um dos últimos cinco pregões, período no qual acumulou um salto de 9,05%. Para analistas, é questão de tempo para a cotação cruzar a linha de mais uma marca psicológica, desta vez de R$ 6.

Enquanto o real assiste a uma tendência de escalada do dólar, reflexo do corte da taxa Selic, câmbios de países como México, Rússia e Argentina vêm se recuperando. No ano de 2020, o dólar já acumula ganhos na ordem de 44% contra o real em meio a cenário local desfavorável e cautela contínua no exterior.

A redução agressiva da taxa Selic a mínimas históricas, na quarta-feira, surtiu efeitos consideráveis sobre a moeda brasileira. Quanto menores os juros, menos rentáveis são os investimentos locais atrelados à Selic, o que torna o Brasil menos atraente para o investidor estrangeiro quando comparado a países emergentes de risco parecido.

Lá fora

No exterior, China e Estados Unidos discutiram a fase 1 de seu acordo comercial, e o país asiático disse que concorda em melhorar a atmosfera para sua implementação, enquanto os EUA disseram que os dois lados esperam que as obrigações sejam cumpridas.

A notícia acalmava o sentimento dos mercados, principalmente depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, e outras altas autoridades norte-americanas culparam a China pela morte de centenas de milhares de pessoas devido ao surto de coronavírus, e ameaçaram ações punitivas, incluindo possíveis tarifas e o afastamento das cadeias de suprimentos da China.

"O clima amanheceu otimista, com sinalização boa dos EUA e da China", disse Jefferson Laatus, sócio fundador do grupo Laatus. "Os dois países voltaram a se falar, e isso é realmente muito positivo."

Enquanto isso, os investidores também reagiam a dados impressionantes sobre o emprego nos Estados Unidos. A economia norte-americana perdeu 20,5 milhões de postos de trabalho em abril, sua queda mais acentuada desde a Grande Depressão, enquanto a taxa de desemprego no país ficou em 14,7%.

Apesar de evidenciarem o enorme impacto econômico das medidas de contenção do coronavírus, os dados ainda vieram melhores do que as expectativas dos mercados. Economistas consultados pela Reuters previam fechamento de 22 milhões de vagas fora do setor agrícola e taxa de desemprego de 16%.

*Com Reuters

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